Como seu cérebro se conecta a Deus - Parte 1

Pesquisa mostra que a fé pode muito bem ser parte de nosso projeto.

fonte: Guiame

Atualizado: Quinta-feira, 3 Julho de 2014 as 5:06

Como seu cérebro se conecta a Deus - Parte 1Quando eu era criança, meus professores da Escola Dominical disseram-me que um dia Jesus iria bater à porta do meu coração. Quando isso aconteceu, eu pude abrir a porta e Jesus e deixei Jesus entrar. Como um adulto na igreja, eu ouvi muitas vezes referências a um "buraco do tamanho de Deus em nossos corações." A ideia é que todas as pessoas têm um desejo inato por um relacionamento com Deus.

Claro, estamos falando poeticamente, quando falamos de nossos corações. Nossos corações sao realmente apenas bombas no centro do nosso sistema circulatório. A sede real de nossos pensamentos, sonhos e sentimentos é o nosso cérebro. Então, há mérito científico nesta esta idéia de nosso desejo arraigado de comungar com um ser superior? São nossos cérebros realmente conectados a Deus?

Pesquisadores da Universidade de Oxford decidiram testar a ideia. Eles realizaram uma série enorme de experimentos em diferentes culturas e continentes para ver se os seres humanos são inerentemente dualistas. O dualismo é a crença de que existem forças imateriais, invisíveis no trabalho na realidade material que vemos todos os dias.

Esses experimentos descobriram que as crianças acreditam que tanto suas mães como Deus são oniscientes. As mães "perdem sua onisciência" à medida que o cérebro da criança se desenvolve, mas Deus não. Isso é verdade mesmo para as crianças criadas em famílias não-religiosas e, em culturas menos religiosas.

Essa predisposição não termina com a infância. A maioria dos adultos entre diversas culturas acreditam em algum tipo de vida após a morte. Isto é verdadeiro em culturas orientais e ocidentais, em países desenvolvidos e nações em desenvolvimento, e em sociedades religiosas e seculares. A maioria das pessoas em todas as culturas têm uma predisposição para a crença em um Deus onisciente e vida após a morte.

Desde que Jesus entrou na minha Cortex Anterior Cingulado
Os cientistas vêm procurando um local no cérebro que corresponde a Deus. Afinal, há um lugar em seu cérebro responsável pela visão, linguagem, memória e raiva. Não poderia haver local neurológico para Deus?

Nossos insights sobre como funciona o cérebro tornaram-se muito mais sofisticados, na última década, graças ao surgimento de novas ferramentas para cérebros que vivem de imagem. Temos máquinas agora pelas quais vamos assistir cérebros que vivem em três dimensões sem cirurgia ou autópsia. Esta tecnologia permite que os cientistas do cérebro estudem como os crentes oram, meditam, adoram e experimentam mais de Deus.

Esta pesquisa mostra que não há lugar para Deus no cérebro humano. Deus não se limita a mover-se em um ponto específico de nossos cérebros. Os crentes têm uma rede rica e complexa criada em seus cérebros para Deus. Para o devoto, Deus não é apenas uma ideia, mas uma tapeçaria de sentimentos e experiências. Esta rede afeta a forma como nosso cérebro funciona em níveis fundamentais.

Pessoas que se dedicam regularmente a experimentar mais do amor de Deus, passam por mudanças através da oração e meditação. Eles têm menos stress, e eles até mesmo experimentar uma redução na pressão arterial. Seu córtex pré-frontal - a parte do cérebro associada com foco e atenção - torna-se mais ativo ao longo do tempo, ajudando-os a evitar a distração e ser mais intencional.

Eles também têm mais atividade no córtex anterior cingulado. Essa é a parte do nosso cérebro associada com amor, compaixão e empatia. Incidindo sobre o amor de Deus nos torna mais amoroso e menos irritado. É mais fácil que nós mesmos e o outros consigam perdoar.

As pessoas não apenas vêem Deus como amor. Muitas pessoas também vêem Deus como sinônimo de raiva ou vingança. Quando nos concentramos na ira de Deus para conosco ou para com os outros, coisas diferentes acontecem em nossos cérebros. Nosso sistema límbico se torna mais ativo. Isso pode ser "útil", porque o medo de Deus pode mudar o nosso comportamento, pelo menos temporariamente.

Mas, afinal, se deter sobre a ira de Deus aumenta nosso nível de estresse e nos faz ter medo de outros. Temos dificuldade em perdoar a nós mesmos e outras pessoas. A Neurosciência mostra-nos que o amor de Deus é melhor para nós do que a ira de Deus.

Por Mike McHarge - escritor, ex-ateu convertido ao cristianismo e fundador do grupo "The Liturgists"

*Artigo publicado originalmente em RelevantMagazine.com

*Tradução por João Neto - www.guiame.com.br

 

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