Conselho de igrejas cristãs critica decisão de Eduardo Cunha

Eduardo Cunha é membro da igreja neopentecostal Sara Nossa Terra em Madureira. No documento, o Conic declara que o processo de impeachment não tem legitimidade e que o afastamento de Dilma "nos conduziria para situações caóticas".

Atualizado: Segunda-feira, 7 Dezembro de 2015 as 6:18

Eduardo Cunha
Eduardo Cunha

Uma nota publicada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), afirma que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se baseou em "argumentos frágeis" quando abriu o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O conselho é formado pelas igrejas Evangélica de Confissão Luterana, Episcopal Anglicana do Brasil, Metodista e Católica.

Em contrapartida, tal posição não é a mesma de alguns líderes evangélicos. É o caso do pastor Omar Silva da Costa, presidente do Conselho Nacional de Pastores e da Convenção Geral das Igrejas Assembleias de Deus no Brasil, que afirmou em entrevista para a Agência Estado que as duas instituições defendem a abertura do processo. "Se Dilma for condenada, deve não só perder o mandado, como também ir para atrás das grades, onde já está José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil). Mandamos e-mails para os pastores pedindo para orar pelas autoridades. Mas a autoridade que está fazendo um governo injusto, vivendo de corrupção, como foi provado pela Operação Lava Jato, deve ser condenada", disse.

Eduardo Cunha é membro da igreja neopentecostal Sara Nossa Terra em Madureira. No documento, o Conic declara que o processo de impeachment não tem legitimidade e que o afastamento de Dilma "nos conduziria para situações caóticas".

"Vemos com muita preocupação que o presidente da Câmara tenha acolhido um pedido de impeachment com argumentos frágeis, ambíguos e sem a devida sustentação fática para acusação de crime de responsabilidade contra a presidente da República", diz o pronunciamento. "Perguntamos quais seriam as consequências para a democracia brasileira diante de um processo de deposição de um governo eleito democraticamente em um processo sem a devida fundamentação."

Outras Opinições

O pastor Silas Malafaia (Assembleia de Deus Vitória em Cristo) também se pronunciou sobre o assunto em sua conta oficial no Twitter. O líder comemorou a abertura do processo de impeachment e criticou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por defender sua correligionária. "Lula reclamando do encaminhamento do impeachment de Dilma, dizendo que é insanidade, é um brincalhão, farsante, o PT fez isso com outros governos", publicou.

Já Lelis Washington, presidente do Conselho Político da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, apoiou a atitude de Cunha e afirmou que ele demorou muito tempo para tomá-la.

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