Cristão é condenado por militar contra o comunismo: “A Bíblia nos ensina a lutar"

O jovem ativista e mais dois amigos foram punidos por mobilizarem milhares de estudantes a protestarem contra o regime político na China, em 2014.

fonte: Guiame, com informações do Christian Today

Atualizado: Segunda-feira, 15 Agosto de 2016 as 4:48

Wong disse em sua conta oficial no Twitter que ele não se arrepende de seu envolvimento. (Foto: Reuters).
Wong disse em sua conta oficial no Twitter que ele não se arrepende de seu envolvimento. (Foto: Reuters).

O ativista cristão Joshua Wong, um adolescente de 19 anos que luta pela democracia em Hong Kong através do movimento “Umbrella”, foi condenado a cinco anos de prisão. O motivo se deu em 2014, quando ele mobilizou milhares de estudantes para protestar contra a manobra política do governo chinês para fortalecer o Partido Comunista.

Nesta segunda-feira (15), um tribunal sentenciou Wong e dois outros líderes estudantis pela participação na organização de um grupo que protestou contra o governo por 79 dias. O jovem que militava contra o sistema eleitoral disse que não se arrepende de seu envolvimento, mesmo depois de ter sido condenado.

Wong terá de cumprior uma ordem de 80 horas de serviço comunitário, enquanto Law Nathan irá servir por 120 horas. Já Alex Chow recebeu uma sentença de três semanas com suspensão de um ano por "incitação".

De acordo com o site Christian Today, Wong foi criado em uma família cristã, mas teve sua fé fortalecida no ano passado, quando se determinou a lutar pela justiça. Quando era criança, seu pai o levou em visita às comunidades pobres de Hong Kong, e isso gerou nele uma paixão para defender os mais vulneráveis.

"A Bíblia nos ensina que precisamos lutar pela justiça, e os cristãos têm a responsabilidade de ser sal e luz na sociedade", disse ele. "Nós temos a maior obrigação e o papel mais importante do mundo, além de sermos apenas cidadãos normais", pontuou.

Direitos do cidadão

Todas as três sentenças violam o direito do cidadão no que tange a "expressão pacífica”, de acordo anúncio feito pela Human Rights Watch – HRW (Assistência aos Direitos Humanos, em tradução livre) nesta segunda-feira, pedindo que o governo de Hong Kong revogue as determinações.

"Ao sentenciar esses alunos, o comportamento das autoridades de Hong Kong se assemelha cada vez mais ao de seus colegas em Pequim", disse Sophie Richardson, diretora da HRW da China.

"Liderar protestos pacíficos não é crime, e as acusações contra os três devem ser descartadas", alertou a organização, que tem registrado um número crescente de prisões e processos contra manifestantes em Hong Kong.

Segundo a lei, as passeatas com mais de 30 pessoas e manifestações com mais de 50 devem receber autorização prévia do governo. Sophie disse que o julgamento de Wong e seus amigos "deve alertar quem se preocupa com o destino dos direitos básicos em Hong Kong".

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