Cristãos têm água cortada por se recusarem a negar Jesus, na Índia

Os aldeões cortaram o fornecimento da água para os cristãos que não se converteram ao hinduísmo. Sem esse recurso, eles não podem irrigar suas plantações e poderão enfrentar a fome.

fonte: Guiame, com informações do Charisma News

Atualizado: Segunda-feira, 19 Junho de 2017 as 4:24

O presidente da aldeia instiga a multidão a atacar quem se converte ao cristianismo. (Foto: Morning Star News).
O presidente da aldeia instiga a multidão a atacar quem se converte ao cristianismo. (Foto: Morning Star News).

Aldeões do estado de Uttar Pradesh, na Índia, estão perseguindo os cristãos, forçando-os a participarem de rituais hindus. Caso os seguidores de Cristo recusem a imposição, eles têm o fornecimento de água cortado. As famílias que foram atacadas na aldeia de Jalalabad, distrito de Ghazipur dependem da água para irrigar seus campos.

"Como vamos sobreviver se não cultivarmos nossas áreas de colheita?" disse Sasikala Kumari ao site Morning Star News, observando que a polícia da aldeia permite que os hindus cortem o abastecimento de água dos cristãos. "Todos se uniram e estão conspirando contra nós", denunciou.

No dia 25 de abril, aldeões hindus espancaram Manoj Kumar, sua esposa, Pushpa Kumari e outros três casais cristãos, incluindo Sasikala Kumari e seu marido, Ramkreet Ram. Eles foram acusados de converter hindus ao cristianismo.

"A multidão apoiada pelo presidente da aldeia nos forçou a beber gangajal (água do rio Ganges, considerada santa), coma tulsi (manjericão considerado santo) e declara que negamos a Cristo", disse Pushpa Kumari. "Quando resistimos, os homens e as mulheres da aldeia nos bateram ainda mais forte", contou.

Perseguição

Os quatro casais, juntamente com outros quatro cristãos, recusaram participar do ritual para não negarem a Cristo. Um total de 13 outros jovens cristãos foram obrigados a participarem do ritual hindu e negar a Cristo. "Os jovens foram forçados pelos extremistas a consumir folhas de gangajal e tulsi e dizer que não são mais cristãos", disse Pushpa.

Sabe-se que o presidente da aldeia instiga a multidão a atacar quem se converte ao cristianismo. Quando os seguidores de Jesus foram à delegacia de polícia de Dullapur para denunciar os agressores, o presidente da aldeia, Santosh Kumar Gupta, chegou também e os acusou de “conversão forçada”.

Gupta negou que ele e os outros hindus pressionaram os cristãos a negar a Cristo e a participar do ritual hindu, dizendo ao Morning Stars que o incidente era uma mera queixa entre os dois grupos. “O assunto aconteceu antes da polícia”, disse ele. Manoj Kumar, que lidera orações em sua casa aos domingos, uma vez que as famílias não têm meios para viajar para a cidade com o objetivo de cultuar a Deus, disse a polícia que escutava os dois lados.

"Os aldeões estavam contra nós, eles fizeram falsas alegações de que estamos forçando a conversão do povo", disse Manoj Kumar. "A polícia pediu aos aldeões que deixassem qualquer um seguir seus próprios ensinamentos religiosos de forma pacífica e que ninguém perturbasse os cultos de oração na igreja da casa da aldeia".

Sem água

Na presença do chefe da aldeia, os aldeões hindus disseram que cumpririam o pedido da polícia, e nenhum dos lados apresentou uma queixa formal. O acordo, no entanto, não mencionou o serviço de água, e os aldeões se recusaram a vender aos cristãos.

"Como resultado, não temos permissão para a nossa parcela de fornecimento de água nos campos", disse Manoj Kumar à Morning Star News. "Estamos prontos para pagar o preço, mas o presidente e os moradores decidiram não nos deixar irrigar. Nosso campo fica seco e está queimando, morrendo".

O presidente da aldeia, Gupta, disse que não pode impedir os hindus de cortar a água dos cristãos. "No que diz respeito ao problema do fornecimento de água, é pessoal", disse ele. "Se ninguém na vila quiser vender água dos poços, é escolha pessoal". Perguntado se uma mercadoria básica como a água pode ser negada a um povo com bases religiosas em um país secular como a Índia, Gupta disse que as famílias não se queixaram dele sobre isso.

A Índia ficou em 15º lugar na lista do Ministério Portas Abertas sobre perseguição religiosa, desse ano. 

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