"É uma questão moral", disse Cristovam Buarque sobre legalização da maconha

Especialistas e autoridades estiveram reunidos em audiência pública, no Senado brasileiro, para discutir possíveis consequências da legalização do uso / venda da maconha

fonte: Guiame

Atualizado: Segunda-feira, 2 Junho de 2014 as 3:38

Na tarde desta segunda-feira, 02/06, especialistas e autoridades estiveram reunidos em audiência pública, no Senado brasileiro, para discutir possíveis consequências da legalização do uso / venda da maconha.

Participaram do debate, coordenadora do Movimento “Maconha Não”, Marisa Lobo, o secretário-geral Julio Calzada - atual responsável pela Secretaria Nacional de Drogas do Uruguai -, Márcia Loureiro - coordenadora-geral de Combate aos Ilícitos Transnacionais do Ministério das Relações Exteriores -, Rafael Franzini Batle - o representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime no Brasil -, o senador Cristovam Buarque (PDT - DF) - relator da Sugestão 8/2014, e a presidente da CDH, senadora Ana Rita (PT-ES).

Durante o seu discurso, Calzada afirmou que a legalização da maconha pode aumentar o número de consumidores da droga, mas também ressaltou que, apesar disso, a medida "zerou a quantidade de mortes ligadas ao uso da droga".

“Talvez [a legalização da maconha] aumente o numero de usuários, é uma hipótese. Dizem que o maior problema dos usuários de drogas é que são onipotentes. E não acreditamos que tenhamos que ser onipotentes em política. [...] Se conseguirmos, com um conjunto de ferramentas, modificar os padrões de consumo de maconha [gerando redução do consumo], estaríamos ante um êxito”, disse.

Coordenadora do projeto Maconha Não, a psicóloga e palestrante cristã Marisa Lobo lembrou em seu depoimento que, segundo pesquisa, 75% da população brasileira é contra a legalização da maconha. Segundo a terapeuta, os adolescentes seriam drasticamente afetados pela legalização.

“A nossa preocupação é o adolescente, que vai entrar em um mundo de prazer e pode querer uma fuga. Creio também que a repressão não está funcionando, mas a nossa cultura e a educação não estão prontas para a legalização de drogas”, disse.

O senador Cristovam Buarque destacou que a discussão acabou sendo cerceada mais por questões morais que por outros fatores.

“O próprio representante do Uruguai disse que eles estão prevendo o aumento do consumo, mas que vale a pena correr o risco desde que se reduza o número de mortes por causa do tráfico. Na verdade, o que a gente está discutindo é tráfico de drogas. Isso que é importante discutir. No fundo, [o que discutimos] é uma questão moral: é decente ou indecente permitir que se compre droga? É uma questão que vai além da ciência”, frisou.

Com informações do G1

veja também