Esquerdistas tentam derrubar página de deputada evangélica no Facebook

A iniciativa foi tomada após um debate promovido pelo programa Rádio Debate, da rádio Universitária FM. A deputada dialogou frente a frente com Ari Areia, ator do monólogo onde ele derrama seu sangue sobre a imagem de Jesus crucificado.

fonte: Guiame, com informações do portal Tribuna do Ceará

Atualizado: Quinta-feira, 30 Junho de 2016 as 10:29

A conversa tinha o objetivo principal falar sobre o Dia do Orgulho LGBT. (Foto: Máximo Moura/ALCE).
A conversa tinha o objetivo principal falar sobre o Dia do Orgulho LGBT. (Foto: Máximo Moura/ALCE).

Ativistas da classe militante LGBT querem "tirar do ar" a página da deputada Dra. Silvana Oliveira (PMDB). O motivo é o fato da parlamentar defender um projeto de lei que prevê multas e a possível impossibilidade de realizar manifestações que promovam a "satirização, ridicularização e /ou toda e qualquer outra forma de menosprezar ou vilipendiar dogmas e crenças de toda e qualquer religião”.

A iniciativa foi tomada após um debate promovido pelo programa Rádio Debate, da rádio Universitária FM na tarde da última quarta-feira (29). A deputada dialogou frente a frente com Ari Areia, ator do monólogo “Histórias Compartilhadas” onde ele derrama seu sangue sobre a imagem de Jesus crucificado, além de expor o símbolo religioso com cenas de sexo num mesmo cenário. Além dos dois representantes estava o psicólogo Márcio Gondim.

A conversa tinha o objetivo principal falar sobre o Dia do Orgulho LGBT, que aconteceu na última terça-feira (28). Mas, o que marcou o debate foi a discussão do projeto de lei proposto pela parlamentar. Para Silvana, serve como prova qualquer ato público que escandalize.

“Nunca, jamais, eu vou tentar macular quem quer que seja, mas as leis, o direito, estão aí para serem seguidas. Qualquer ato público que escandalize já serve legalmente e juridicamente como prova, então, uma pessoa cristã como eu – e aqui eu não citei nenhum versículo bíblico ainda, se precisar eu cito, mas não citei, estou aqui em cima do que é lei, do que é correto – se escandaliza, já virou um fato”, disse a deputada de acordo com o portal Tribuna do Ceará.

Em contrapartida, o ator declarou que a arte tem a função de provocar. “Eu acho muito problemática essa concepção de que exista uma boa arte ou uma arte real associada ao lugar do belo, do sublime, do bonito. A arte em si tem uma função essencial de provocar. E ela pode estar no lugar do belo, do sublime, mas pode estar em outro lugar, não só no teatro, mas também na música”, disse.

Uma publicação indicava o caminho para tentar tirar a página do ar. (Foto: Reprodução).

O debate continua acalorado e em determinado ponto, o ator questiona a atuação de Silvana como parlamentar. “O grande problema, nessa sua atuação como parlamentar, é que tanto a sua moção de repúdio, como o projeto de lei que a senhora apresentou, são baseados estritamente em posições pessoais, de credo pessoal”.

“Por que eu sou católica?”, questionou a deputada. “Não, a senhora é evangélica, mas a senhora é uma parlamentar religiosa, e a senhora usa sua religião (interrupção). Quando a senhora assumiu seu mandato de deputada, a senhora prometeu guardar a Constituição, a senhora acha que um projeto de lei como esse, que autoriza a Polícia Militar a invadir um teatro, por exemplo, interromper uma peça teatral, está respeitando a Constituição, quando a Constituição fala que o direito à liberdade de expressão é concedido à população de forma irrestrita, a senhora não acha que é absurdo esse tipo de posicionamento?”.

Silvana retoma a palavra: “Não existe direito absoluto quando você contraria o direito de outro, quando você contraria, viola o outro – e para isso existem as leis, para ordenar a sociedade. (…) A arte só teria essa forma de tocar se for vilipendiando, se for agredindo, se for insultando o outro? As leis estão aí, a Polícia Militar está aí, é exatamente para garantir que todas as pessoas têm direitos, deveres e valores, jamais esse projeto vai penitenciar ou vai punir se você está seguindo a regra social”, ressaltou.

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