“Esses jovens só precisam que acreditem neles”, diz pastor ex-traficante sobre obra nas ruas

Por meio da comunidade que fundou em Franca, cidade do interior paulista, o pastor Mosquito aproveita locais onde existe o tráfico de drogas para apresentar a proposta de vida cristã aos adolescentes.

fonte: Guiame, com informações de GCN

Atualizado: Terça-feira, 1 Março de 2016 as 11:40

Jefferson de Oliveira, conhecido como Pastor Mosquito, se tornou um resgatador de jovens. (Foto: Wilker Maia/Comércio da Franca)
Jefferson de Oliveira, conhecido como Pastor Mosquito, se tornou um resgatador de jovens. (Foto: Wilker Maia/Comércio da Franca)

Resgatado do mundo da criminalidade e das drogas na adolescência, hoje Jefferson de Oliveira, conhecido como Pastor Mosquito, se tornou um resgatador de jovens.

Por meio da comunidade que fundou em Franca, cidade do interior paulista, Mosquito aproveita locais onde existe o tráfico de drogas para apresentar a proposta de vida cristã aos adolescentes.

A Igreja Apostólica Resgate, liderada pelo pastor, tem promovido ações que vão além das palavras de ensinamento — atividades ligadas ao esporte, música e oportunidades de emprego são disponibilizadas aos jovens que querem uma mudança de vida.

“Vamos nas biqueiras buscar os meninos e, quando estão firmes, tentamos colocá-los no mercado de trabalho. Temos um grande parceiro que tem abraçado essa causa conosco e nos ajudado nisso. Mas não é fácil”, disse Mosquito ao jornal GCN.

Jefferson tem uma história de vida muito semelhante à dos jovens impactados por suas ações de resgate. Criado em Franca pelos avós, ele começou a trabalhar aos 6 anos para ajudar em casa. “Comecei a costurar sapatos. Ia para a escola e, quando chegava, já tinha serviço em casa para fazer. Quando meus avós ainda eram vivos, existia brincadeira mas, quando morreram, acabei me envolvendo com drogas.”

Mosquito passou a morar sozinho na casa deixada pelos avós, aos 9 anos. Ele passou a consumir diversos tipos de drogas, entre maconha e cola, e se tornou um viciado aos 12 anos — idade em que praticou seu primeiro crime.

“Assaltei uma senhora com uma faca, quando ela estava saindo para o trabalho. Fiz isso não sob o efeito de droga, mas por querer a droga, em estado de abstinência. Depois a gente, a quadrilha, começou a usar revólver nos assaltos. Desse grupo, muitos morreram ‘nessa vida’. Eu, por exemplo, tomei facada, levei tiro, passei fome”, relata.

Mudança

Para Jefferson, o ponto de mudança começou pelo medo. Aos 16 anos, foi flagrado com meio quilo de cocaína e enviado para uma unidade da Febem (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor), em São Paulo. Lá, descobriu o verdadeiro horror da violência.

“Foi em 1997, na unidade da Imigrantes, que eu conheci uma coisa chamada rebelião e minha vida começou a mudar. Três dias antes dela explodir, os rumores começaram e a gente mal dormia. Cada menino começou a improvisar uma arma para se defender. Como eu era do interior, estava mais frágil e sem turma. Um menino ficou com dó e me deu um espeto”, contou.

A experiência no local foi um grande trauma para Jefferson. “Nunca vi nada parecido. Em dado momento, quando os internos viram que o governador Mário Covas não ia ceder às exigências, enrolaram, na minha frente, um menino no colchão e cortaram a cabeça dele. Depois jogaram para o governador e a tropa de choque entrou”.

A partir desse episódio, Jefferson não quis mais voltar à Febem, e foi orientado por um advogado a buscar por uma clínica de recuperação. Nas reuniões evangélicas do abrigo, em Ribeirão Preto, viu na proposta da filosofia cristã a esperança de um recomeço, e decidiu deixar seu passado para trás.

“Por isso me identifico com esses meninos que estão nas ruas e envolvidos com drogas e quero para eles a oportunidade que eu tive”, afirma o pastor.

Jeffeson reconhece as dificuldades para se recuperar, mas acredita que é possível conseguir com apoio. “Não é um caminho fácil porque a sociedade é, de forma geral, excludente. Quando saí da clínica, não conseguia emprego. Um pastor me ofereceu dinheiro e me mandou a São Paulo para comprar panos de prato. Vendi todos e, pela primeira vez na vida, vi que era bom em algo útil. E é nisso que eu acredito, que esses jovens só precisam de alguém que acredite neles para se descobrirem, também, úteis”.

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