Ex-reféns contam como cristã enfrentou abusos do Estado Islâmico: "A força dela estava na fé"

Kayla Mueller foi raptada quando trabalhava para a organização “Médicos Sem Fronteiras”. Ela foi torturada, abusada e forçada ao trabalho escravo para os terroristas Estado Islâmico.

fonte: Guiame, com informações do site Hello Christian

Atualizado: Sexta-feira, 26 Agosto de 2016 as 1:28

De acordo com os amigos, ela ainda se levantou contra o líder jihadista para defender sua fé cristã. (Foto: NBC News).
De acordo com os amigos, ela ainda se levantou contra o líder jihadista para defender sua fé cristã. (Foto: NBC News).

Uma refém americana, Kayla Mueller, foi torturada, abusada verbalmente e forçada ao trabalho escravo para os comandantes do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) na Síria. Além disso, ela era obrigada a ter relações sexuais com o líder do grupo. Tudo isso foi uma provação trágica, sendo resultada em sua morte, em 2015.

Ela foi raptada quando trabalhava para a organização de ajuda humanitária “Médicos Sem Fronteiras”. Mas agora seus colegas, que eram reféns juntamente com ela, falaram que ela nunca se rendeu e que tinha esperança de ser livre. Eles informaram que o objetivo dela era colocar o bem-estar dos companheiros acima do dela.

De acordo com os amigos, ela ainda se levantou contra o líder jihadista para defender sua fé cristã. O jihadista chamado John supervisionou o cativeiro e levou mais três britânicos, que também supervisionaram a operação.

No entanto, outros reféns logo perceberam que Kayla não tinha medo desses homens. O ex-refém Daniel Rye Ottosen, um fotógrafo dinamarquês, lembrou que a jovem conseguiu virar o jogo.

"Um deles começou a mentir dizendo: 'Está é Kayla, ela pode ser libertar porque ela é muito mais forte do que vocês. E ela é muito mais inteligente e se converteu ao Islã'. Mas ela disse depois que não havia se convertido”, disse Ottosen ao site ABC News.

Ottosen foi surpreendido pela força e coragem da voluntária. "Eu não teria tido a coragem de ir contra eles dessa forma", disse. "Ficou muito claro que todos nós estávamos impressionados com a força que ela mostrou ter", disse.

Outros depoimentos

Outra refém do Médicos Sem Fronteiras contou mais informações sobre a provação de Kayla. "Ela foi incrível. Ela era uma garota muito forte", disse Patricia Chavez. Já Frida Saide, outra refém que foi mantida ao lado de Kayle, disse que ela tinha uma fé muito forte que lhe deu muita força. "Como pessoa, ela era uma amiga muito boa. Ela era inteligente. Ela era muito gentil e extremamente generosa", pontuou.

"Ela sempre foi atenciosa com os outros, mesmo quando se encontrava em uma situação muito difícil", acrescentou Saide. "Ela estava sempre preocupada com outros prisioneiros. Ela nunca parou de se preocupar com a população síria que estava vivendo coisas simplesmente horríveis nesta guerra e ainda estão. Ela nunca deixou de cuidar dos outros", ressaltou.

As outras duas voluntárias do Médicos Sem Fronteiras que estavam como reféns foram libertadas, mas Kayla permaneceu em cativeiro. O líder Abu Bakr al-Baghdadi forçava Kayla a sair com ele à noite. "Baghdadi a levou várias vezes durante a noite para atos sexuais", contou Julia, lembrando que Mueller voltava mais tarde e tentava não chorar. Ela disse às meninas que parte das sobreviventes estavam sendo forçadas a fingir que haviam se convertido ao Islã, pois poderiam ser abusadas. Mas, Kayla continuava se agarrando a sua fé cristã.

"Quando ela estava com a gente, ela queria nos encorajar por causa do que aconteceu com a gente", disse Julia, observando que as meninas foram tomadas por homens do Estado Islâmico. "Ela estava muito cansada o tempo todo. Ela não chorava todas as noites, mas ela estava muito cansada". As meninas iáziges conseguiram escapar. Kayla "estava orando por nós para escapar, para sobreviver", disse Julia, pegando em um bracelete em seu pulso que ela usa em honra a Kayla. "Eu nunca vou esquecer desse sacrifício. Ela foi muito boa para nós. Eu nunca vou esquecer", finalizou.

Reputação em Israel

Mesmo com uma história que ganhou uma comoção internacional, o caso de Kayla Mueller não teve uma boa reputação entre o povo de Israel. O motivo é que segundo o site "Israel National News", Kayla integrou o "Movimento Internacional de Solidariedade" e se posicionou contra a ocupação de Israel em Sheikh Jarrah (parte leste de Jerusalém). 

Ao saber da morte de Kayla, anteriormente, o editor e escritor Joel Pollak lamentou o fato do posicionamento da moça quanto à Israel. "Triste que Kayla Mueller fosse ativista anti-Israel. Se ela entendeu ambos os lados, ela poderia ter evitado idealizar o inimigo que a matou", comentou.

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