Guarda se baseia na Bíblia para ajudar usuários de crack: "Levo para casa mesmo"

A bíblia é referência para sua atitude. O guarda cita a parábola do “Bom Samaritano” ao comentar que a ação de ajudar os menos favorecidos não vem de hoje.

fonte: Guiame, com informações da BBC

Atualizado: Terça-feira, 26 Julho de 2016 as 11:10

Para Marcos, existem muitas pessoas com bom coração para praticar a caridade. (Foto: Arquivo Pessoal).
Para Marcos, existem muitas pessoas com bom coração para praticar a caridade. (Foto: Arquivo Pessoal).

Um Guarda Civil de São Paulo tem feito diferença na vida de vários moradores de rua que caem na cilada das drogas. Marcos de Moraes já está há oito anos na Guarda Civil Metropolitana (GCM) e já mudou cerca de 50 usuários de crack. Ele ajuda encaminhando para abrigos, levando de volta para as famílias e até mesmo acolhendo em sua própria casa.

"Você aceita ajuda? Eu não estou brincando. Se você confiar em mim, eu posso te tirar das ruas". É assim que Marcos aborda aqueles que ele decide ajudar depois de analisar à distância o grupo de usuários de drogas que vive na Cracolândia. "Levo para casa mesmo. Sei que é um número pequeno, mas não me importo com quantidade, e sim com a qualidade. Quando pego um caso, vou até o fim", disse ele em entrevista ao site BBC Brasil.

A bíblia é referência para sua atitude. O guarda cita a parábola do “Bom Samaritano” ao comentar que a ação de ajudar os menos favorecidos não vem de hoje. “Os moradores de rua merecem no mínimo serem ouvidos, merecem atenção. Isso é antigo. Tem uma passagem na bíblia com o homem caído que é ignorado pelas pessoas que poderiam ajudá-lo. Mas um passa e vem para ajudá-lo. Esse sou eu. Se tiver no meu alcance, vou ajudar na hora”, ressaltou.

Tecnologia em favor da caridade

Para o guarda, o Facebook tem sido uma ótima ferramenta para encontrar as famílias dos moradores de rua. E foi por meio dessa prática que ele conheceu sua atual esposa, Karyne Santana Xavier de Moraes, 29. "Eu sempre compartilhava as postagens dele e a gente começou a conversar. Nos encontramos, namoramos dois anos e casamos", disse ela.

O casal vive em Mogi das Cruzes (São Paulo) em uma casa alugada, juntamente com o pedreiro Geraldo Martins, de 63 anos. Este foi um dos que Marcos resgatou quando morava nas ruas de São Bernardo do Campo. "Ele trabalha em São Paulo e a esposa dele fica sozinha. Não sei como ele teve coragem de me trazer. Ele confia demais em mim”, disse o acolhido. O guarda levou Geraldo para sua casa em fevereiro depois de ver um alerta no Facebook. O pedreiro saiu de Pernambuco em busca de um emprego em São Paulo, mas acabou morando na rua.

Para o guarda, o Facebook tem sido uma ótima ferramenta para encontrar as famílias dos moradores de rua. (Foto: Arquivo Pessoal).

Igreja versus recuperação de viciados

O pastor Humberto Machado também tem um projeto que atua na Cracolândia. O local que é dominado pelo intenso tráfico de drogas se deparou com uma porta de esperança aberta pela Cristolândia, uma iniciativa da Junta de Missões Nacionais da Igreja Batista. Atualmente, mais de 300 pessoas são atendidas todos os dias na unidade estabelecida em São Paulo, e 2 mil refeições são distribuídas.

De acordo com o pastor, em entrevista exclusiva para o Portal Guiame, o início do projeto foi complicado, principalmente pela falta de apoio da igreja. “Quando nós iniciamos e pegamos eles da rua para levar para a igreja, foi um susto. A igreja se deparou com aqueles homens sujos, imundos, deformados e houve uma reação. Então nós tivemos que abrir a Cristolândia com uma igreja só para eles”, relata.

“As pessoas da igreja tem que entender que a missão de resgatar esse povo não é da prefeitura, não é do governo, não é do Estado, é da igreja. O poder de transformar vidas vem da igreja de Cristo. E se nós, que somos a igreja, não acreditarmos neles, como será a vida deles?”, questiona o pastor.

Para Marcos, o guarda de São Paulo, existem muitas pessoas com bom coração para praticar a caridade. “E tem muita gente assim. Tem gente que não aguenta só ver, mas também ajuda. Se eu puder dividir um prato de comida eu divido. Com o seu Geraldo não foi diferente. Ele se propôs a mudar de vida e está comigo até hoje. Levei para casa mesmo”, pontuou.

 

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