Igreja da Inglaterra pressiona multinacionais a fazerem mais pelo controle do aquecimento global

A igreja tem milhões de libras investidas em ações destas empresas e manifestou sua preocupação com o alto volume da emissão de gases poluentes.

fonte: guiame.com.br

Atualizado: Quinta-feira, 11 Dezembro de 2014 as 3:24

Igreja da Inglaterra pressiona multinacionais a fazer pelo controle do aquecimento globalA Igreja da Inglaterra (Anglicana) está pressionando duas das maiores companhias de combustíveis do mundo (BP e Shell) para que estas melhorem o seu desempenho em matéria de emissões de carbono.

A Igreja, que tem milhões de libras investidas em ações destas duas empresas, está em processo de colocar as resoluções dos acionistas para as reuniões anuais de ambas as companhias, que os desafiam a participar mais ativamente no processo de transição para uma economia de baixo carbono.

A Igreja está preocupada com os níveis catastróficos da mudança climática no mundo, e isso é uma questão que está no topo da sua agenda de investimentos éticos. Ela acredita ainda que as empresas podem fazer mais para ajudar na luta contra o aquecimento global.

O desinvestimento nestas empresas é um último recurso e é improvável, porque a Igreja tenta se envolver com grupos empresariais com os quais possa dialogar, de modo que esta medida raramente é aplicada. No entanto, desinvestimentos recentes da Igreja incluem o grupo de exploração de minerais "Vedanta", em 2010 e a agência de notícias "News UK" ( então "News International"), em 2012.

Edward Mason, que gerencia 9.000.000.000 de investimentos da Igreja, disse: "A mudança climática é o maior problema na nossa agenda no momento. É a questão ética de investimento com quais as partes interessadas da Igreja estão realmente preocupadas no momento".

Ele disse que a Igreja tinha aumentado o seu envolvimento na região, e em 2012 criou um programa, apontando para incentivar dez maiores empresas extrativas e serviços públicos do Reino Unido a almejar a classificação máxima na gestão de suas emissões de gases poluentes.

"Nós conseguimos um êxito considerável com este programa", disse Mason.

BP e Shell estão actualmente classificados na segunda posição deste ranking.

"Nós realmente gostaríamos que estas companhias alcançassem uma classificação ainda melhor... Queremos que as empresas informem seus acionistas e descrevam o que eles estão fazendo para atender a esses desafios do futuro", explicou.

Mason ainda disse que geralmente, as opiniões da Igreja foram bem recebidas pelas empresas.

"É raro que haja confronto. Nós gostamos de pensar nisso como viver sendo sal e luz, sendo exemplo verdadeiramente cristão no mundo dos negócios", destacou.

Representantes da igreja e e também das duas empresas irão se reunir em junho de 2015.

Mason disse em um blog da Igreja da Inglaterra que ficou claro desde o relatório de avaliação mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima que o mundo está em um caminho em direção a uma mudança climática perigosa.

"É imperativo que ao longo das décadas à frente façamos a transição para uma economia de baixo carbono", escreveu ele.

"Optamos por apresentar resoluções de acionistas da BP e Shell, porque eles têm as maiores emissões de carbono de todas as companhias listadas na Bolsa de Londres... É claro que as empresas de petróleo e gás têm uma responsabilidade especial porque os combustíveis que produzem contribuem para as mudanças climática, quando são queimados".

"As resoluções de acionistas têm a intenção de desafiar as empresas a gerir seus negócios de forma que eles participem de maneira construtiva da transição para uma economia de baixo carbono".

A Shell não quis comentar especificamente a resolução. No entanto, um porta-voz apontou ao Christian Today que o diretor executivo, Ben van Beurden, disse: "A Shell sabe que a mudança climática continua a subir na escala de importância na agenda política e pública, e com razão. Estamos nos preparando para uma legislação cada vez mais robusta em emissões. E nós compreendemos que as energias renováveis têm um enorme papel a desempenhar no sistema de energia do futuro".

A iniciativa de investimento da da Igreja para controlar as mudanças climáticas é liderada pelo "CCLA Investment Management", os gestores de fundos de caridade da igreja e especialistas que gerenciam mais de $1,5 bilhão de libras da Igreja da Inglaterra na Junta Central das Finanças de fundos da Igreja da Inglaterra.

Robert Wine, assessor de imprensa do grupo BP, disse Christian Today: "Tivemos discussões construtivas com o CCLA e estão conscientes da intenção de apresentar uma resolução em abril de 2015. Vamos considerá-la cuidadosamente e responder apropriadamente antes da reunião".

Com informações do Christian Post

*Tradução por João Neto - www.guiame.com.br 

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