Malásia cria "centro de purificação" para forçar novos cristãos a negarem a sua fé

Segundo a lei da sharia, os juízes muçulmanos podem condenar o abandono da fé Islã com a morte. O local tem características de prisão, mas o fato tem sido negado pelo governo.

fonte: Guiame, com informações do site Noticia Cristiana

Atualizado: Quinta-feira, 21 Julho de 2016 as 10:55

Um dos ex-detentos que escapou de lá, diz que ele fugiu para a Índia porque sabia que seria morto se voltasse. (Foto: Reprodução).
Um dos ex-detentos que escapou de lá, diz que ele fugiu para a Índia porque sabia que seria morto se voltasse. (Foto: Reprodução).

Um relatório da “CBN News Channel” investigou alegações de que o governo da Malásia estava internando muçulmanos que se converteram a Jesus. O local, que tem o nome oficial de "Centro de Tratamento de Fé" está no meio de uma floresta e é muito parecido com uma prisão.

Quando um ex-muçulmano é denunciado, ele pode ser forçado a ir para este lugar por um período indeterminado. Embora oficialmente o local seja relatado como um lugar onde as pessoas podem ir de forma voluntária, as alegações feitas por líderes cristãos é que esta é uma "pena alternativa" para as pessoas que são condenadas por apostasia.

Segundo a lei da sharia, os juízes muçulmanos podem condenar o abandono da fé Islã com a morte. Desde 2013, Mohd Adib Al Samuri da Universidade Nacional da Malásia, tem publicado relatos de pessoas que foram detidas pela polícia e que foram levadas para o centro, que é gerido pelo governo.

Um dos ex-detentos que escapou de lá, diz que ele fugiu para a Índia porque sabia que seria morto se voltasse. Seu nome não foi revelado por razões de segurança. Ele chegou a pedir um advogado, mas as autoridades disseram que ele não precisa de um, porque o lugar era como uma escola de "re-educação".

De acordo com relatórios divulgados pela emissora, há pelo menos três destes centros, que operam em regime quase militar. Os presos têm horários rígidos e passam horas ouvindo sobre o Islã e sendo perguntados sobre os ensinamentos do Profeta Muhammad. Muitos deles são criminosos ou viciados em drogas, mas os cristãos recebem o mesmo tratamento. Para sair, eles devem dar provas concretas de que seguem a lei islâmica.

O professor Samuri disse que entre as atividades que são absolutamente necessárias, eles são obrigados a receber: aulas do Alcorão, sessões de reorientação da fé, orações coletivas, terapia de grupo, serviços comunitários, ginástica e oficinas, tais como jardinagem e agricultura.

Aqueles cristãos que se recusam a negar sua fé são espancados e ameaçados. Um dos ex-detentos que conseguiu sair, descobriu que as autoridades confiscaram sua casa e seu local de trabalho. Ele disse que deve de se esconder das autoridades, mas foi ajudado por outros cristãos.

O governo da Malásia nega oficialmente afirmando que não há perseguição religiosa, mas apenas a tolerância para as pessoas nascidas em famílias de tradição cristã. De acordo com o Portas Abertas, a Malásia é um dos países que perseguem cristãos no mundo. Embora a conversão seja proibida por lei, eles estimam que há agora 10% da população convertida.

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