Militar usa experiência de guerra para evangelizar: "Quero gerar vida espiritual"

Doug Brinson viu amigos morrerem na guerra e chegou a entrar em depressão por três vezes. Hoje como pastor, ele usa sua história para compartilhar o Evangelho.

fonte: Guiame, com informações da BP News

Atualizado: Terça-feira, 30 Maio de 2017 as 12:15

No final de março de 1972, dois dos companheiros de quarto de Brinson, de 19 e 20 anos, foram mortos no Camboja em uma missão de resgate. (Foto: Reprodução).
No final de março de 1972, dois dos companheiros de quarto de Brinson, de 19 e 20 anos, foram mortos no Camboja em uma missão de resgate. (Foto: Reprodução).

Como membro do Comando de Operações Especiais da Força Aérea dos Estados Unidos no Vietnã, Doug Brinson teve de enfrentar a morte muitas vezes para salvar pilotos acidentados. Sua saga pela vida inclui três semanas de missões em 1972 que mudaram sua vida de uma forma que ele nunca vai esquecer.

“Provavelmente envelheci alguns anos nessas três semanas”, disse Brinson. Seus pais pediram que ele seguisse seu irmão ao se alistar na Força Aérea, pensando que esse seria o ramo mais seguro do exército. O treinamento de Brinson era rigoroso, envolvendo a escola da marinha, aulas de salto do exército, aulas em montanhas, treinamento médico do exército e outras aulas de sobrevivência.

Brinson chegou ao Sudeste Asiático no último ano da guerra, quando o conflito terrestre estava diminuindo em favor do poder aéreo. Os vietnamitas do Norte tomaram a ofensiva, ameaçando o Vietnã do Sul. Os oficiais de guerra ficaram ocupados resgatando pilotos abatidos, trabalho realizado com helicópteros por causa da selva.

Impacto emocional

No final de março de 1972, dois dos companheiros de quarto de Brinson, de 19 e 20 anos, foram mortos no Camboja em uma missão de resgate. O helicóptero de Brinson foi o primeiro a descobrir os destroços. Não havia sobreviventes. A experiência de guerra mudou suas prioridades. "Você não pode ficar chateado com um jogo de basquete depois disso. Eu saí com meus braços e pernas, mas alguns de meus amigos não tiveram a mesma sorte", disse.

Brinson relatou que sofreu de depressão duas ou três vezes desde a guerra. "Você chega lá e vê balas voando, a realidade passa por cima de você, eu era apenas um garoto legal de Louisiana. A violência para mim era uma tarefa difícil", contou.

"Eu provavelmente chorei 10 mil vezes, então agora estou bem", disse Brinson, explicando que o assassinato, embora inevitável na guerra, estava entre as coisas "mais difíceis" que ele fez. Ironicamente, não foi sua experiência de guerra, mas um acidente vascular cerebral que ele sofreu em seus 30 anos que atraiu Brinson para Cristo.

Realidade cristã

Criado em uma casa batista, ele viu outras crianças fazerem profissões de fé. "Foi num jogo de bola quando eu percebi que eu estava diante de Deus. O Evangelho é para todos, mas você tem que dizer isso quando você recebe", disse.

Brinson disse que se tornou consciente da realidade do inferno e entregou sua vida a Cristo. Ele acabou se desfazendo de seu negócio e entrou em ministério de tempo integral, servindo igrejas em Mississippi e San Antonio. Atualmente ele serve como pastor associado de missões e cuidados na Igreja Batista Parkway Village em San Antonio.

Vidas espirituais

Hoje ele fala de suas experiências do passado para compartilhar sua fé com jovens militares e mulheres em um programa especial de uma base militar da área. Uma vez que eles percebem que ele é um veterano, eles realmente param para ouvir. Brinson também usa seus antecedentes para se relacionar com os membros da igreja em uma cidade cheia de veteranos e pessoal de serviço ativo, cercado por instituições militares.

Na reunião de sua unidade, uma década atrás, em Denver, um de seus amigos perguntou: “Ei, Doug, e essas coisas religiosas que você faz”. Dada uma oportunidade pela qual ele havia orado, Brinson compartilhou o Evangelho com os outros 10 homens. "Eles estavam ouvindo", disse ele.

A vida de Doug "é uma boa história de um herói de guerra que transformou isso em um grande ministério", disse Steve Branson, pastor da Igreja Batista do Village Parkway. "Eu me sinto tão abençoado por ter servido meu país que se chama 'uma nação sob Deus'", disse Brinson. "Fiquei orgulhoso de ser uma parte dos meus amigos, que ainda sustentam o lema: 'Fazemos isso para que outros possam viver'. E estou ainda mais orgulhoso de ser uma parte da igreja do Senhor, pois quero gerar vidas espirituais”, finalizou.

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