Mulher que passou 14 anos nas drogas relata mudança de vida: "Deus é misericordioso"

Parte da história de Silvia Ferreira foi contada neste domingo (2), pelo 'Fantástico'. Saiba mais sobre a transformação da mulher que já foi conhecida como 'bruxa da cracolândia' e hoje testemunha sobre Jesus.

fonte: Guiame, com informações do Missões Nacionais

Atualizado: Domingo, 2 Abril de 2017 as 10:09

Após se converter, Silvia se batizou e hoje estuda em um seminário em Campinas. (Foto: Missões Nacionais).
Após se converter, Silvia se batizou e hoje estuda em um seminário em Campinas. (Foto: Missões Nacionais).

Na noite deste domingo (2), o 'Fantástico' (rede Globo) contou um pouco da história de Sílvia Regina Ferreira. A ex-moradora de rua teve sua vida transformada, após uma missionária cruzar o seu caminho e ajudá-la a deixar o pesadelo do crack.

"Deus é misericordioso. Ele mandou um anjo. Ela [missionária] apareceu nas minhas costas, veio devagarzinho e quando eu virei para ela, ela me deu um abraço. Eu fiquei pensando: 'Como uma pessoa branquinha, bonitinha, dos olhos verdes, tem coragem de abraçar uma pessoa como eu?", contou Silvia, ao se lembrar do dia em que conheceu Fernanda Toyonaga, ligada à Junta de Missões Nacionais.

Sílvia contou que aquele abraço de Fernanda teve um impacto maior do que se pode imaginar em sua vida.

"O abraço dela me trouxe esperança, me deu vontade de viver, de ficar em pé", lembrou.

Mas a história de Sílvia tem muitos outros fatos que não foram detalhados na breve matéria do 'Fantástico'. 

Saiba mais sobre o testemunho de Sílvia Regina:


Testemunho
A história de Sívia poderia resultar facilmente em um emocionante filme. É que a estudante de teologia saiu de casa aos 10 anos e foi aí que as complicações começaram. Ela viveu nas ruas até seus 18 anos. Hoje, resgatada por Jesus e com 59 anos, Silvia deseja servir ao Senhor como teóloga batista.

Silvia foi presa em 1975. Ela tinha acabado de conceber sua filha, mas a alegria de mãe durou pouco. Ela lembra o motivo de ter saído de casa tão cedo. “O marido de minha mãe bebia muito, e batia nela. Daí eu saí de casa, fiquei nas ruas e me envolvi com a criminalidade”, disse.

“Fui treinada pra ser bandida por um homem que só mais tarde descobri que era o meu próprio pai. Eu era assaltante e cheguei a ter uma gangue, até que fui presa. Depois, conheci o pai da minha filha e fiquei grávida. Tentei fazer as pazes com minha mãe. Ela tentou usar a gravidez para me levar de volta”, explicou.

Silvia foi presa aos 18 e só saiu da cadeia aos 43. Foram 25 anos. Enquanto isso, sua filha era criada por sua mãe. “Ela registrou minha filha no nome dela. Quando sai, ela não me aceitou, como não aceita até hoje”, disse.


Liberdade e Prisão
“Eu consegui me instalar na cadeia, e trabalhava lá. Me aperfeiçoei como costureira. Em 99 fui para o semi-aberto. Tinham me arrumado um emprego. Mas eu não sabia nem ir nem voltar. Depois me puseram na rua, em liberdade. Mas eu não queria voltar a roubar. Não queria nada disso”, ressaltou Silvia.

"Eu não tinha ninguém. Minha mãe já tinha morrido e eu não conhecia meu irmão. Procurei emprego, fiz um teste (profissional) e passei, mas não fui admitida porque tinha acabado de sair. O atestado de antecedentes me segurou. Quando vinha subindo a rua, aí encontrei alguém que tinha ‘tirado cadeia’ (tempo na prisão) comigo. Ela me convidou pra ir ao Mato Grosso do Sul. ‘Vou te levar para uma pessoa e você vai ganhar bem’. Fala o que fui fazer numa fazenda lá? Fui fazer droga. Fazer ‘pedra’. Depois de alguns meses estava viciada. Mesmo sem usar. Só com o cheiro daquilo. Quando descobri que estava viciada fiquei com raiva de tudo e de todos, até de Deus”, acrescentou.

Silvia conta que passou 14 anos presa nas drogas. (Foto: Missões Nacionais).

A Cracolândia
Silvia conta que lembrar da prisão a fez com que ela deixasse o trabalho com as drogas. “Três meses e depois voltei pra São Paulo. Se a polícia entrasse na fazenda, iria presa e nunca mais seria solta. Eu trouxe todo o meu dinheiro, mas já estava viciada. Eu fumava muito. Fui para as ruas. Fiquei aqui, na Cracolândia. Levava droga de um lugar pra outro pra ter dinheiro e ‘pedras’”, contou.

Ela conta que passou 14 anos usando drogas. “Saí de uma cadeia e entrei em outra”, admite. “Um dia apareceu uma criança que me pediu ajuda. Pensei no meu neto que poderia ser daquele mesmo tamanho. Fui me recobrando. Mas não conseguia sair da dependência. Já tinham se passado dez anos que eu estava na rua. Um dia, a Fernanda (da Cristolândia), me deu um abraço e disse no meu ouvido que Jesus me amava. Isso mexeu comigo. Ela mexeu com meu coração”, ressalta.

A Cristolândia
“Não passou muito tempo e teve uma festa na Cristolândia e eu tava com fome. E eu queria comida. Um dia eu tava muito cansada de tudo e de todos, e fumei, fumei. Aí eu perguntei: ‘O que o Senhor quer comigo? Não me deixa morrer…’. Marquei um encontro com Deus, mas o diabo veio mexer comigo. Eu me sentia muito cansada. Já estava com 40kg, mas a droga nos amortece. Eu lembro que ainda fiz um trato com Deus e disse que se eu saísse das drogas eu ia servi-Lo de verdade”, explica.

Após se converter, Silvia se batizou e ganhou um “presentaço”. “Era meu irmão, Davi. Ele tinha ligado. Ele estava procurando desde que soube que saí da cadeia. Falaram para ele daqui (Cristolândia). Ele confirmou que eu estava aqui e veio pra cá. Chorei muito. Fiquei muito contente. E ele havia feito a mesma coisa que eu fiz. Disse que se me encontrasse iria descer às águas”, pontuou.

Teóloga
Silvia estuda em um seminário em Campinas. “Ouvi sobre a conversão de Paulo e não entendi. Porque aquele homem tão ruim de repente vira um apóstolo. Como? Por quê? Comecei a perguntar. O pastor tentou me explicar e disse: ‘Por que você não tenta fazer teologia?’. Não dei muita bola. Mas um dia a Geane (Campos) estava pregando e me lembrei do meu voto de servir a Deus e falei a ela: ‘Geane, eu quero ser teóloga’. Conversamos e um dia a Soraia me disse: ‘Vai estudar!’”, contou.

“Isso, foi em 2014. Tinha acabado de fazer o ensino médio. Chegou o papel (de inscrição). Preenchi e agora tô lá. Agora é acabar (o curso) em 2018. E quero servir. Ainda quero ser teóloga. Eu gosto de Hebraico”, finalizou.

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