A oração de Jesus

A oração de Jesus

Atualizado: Segunda-feira, 24 Fevereiro de 2014 as 7:05

A oração de Jesus“A palavra convence, o exemplo arrasta”, diz o adágio. Não por acaso, Jesus é conhecido como “Mestre dos mestres”. O Senhor explicou ideias profundas usando parábolas que continham elementos simples do dia-a-dia do povo. Acompanhadas de ação, suas palavras têm impactado milhões de pessoas ao longo da história. 
 
De forma didática, Cristo nos deixou modelos cuja riqueza é fonte de inspiração permanente. Por certo, um dos mais conhecidos é o “Pai Nosso”. Em artigo publicado há alguns anos no Los Angeles Times, a escritora K. Connie Kang estimou que, por ocasião da Páscoa, dois bilhões de cristãos de diversas vertentes naquele ano oraram o pai-nosso em milhares de idiomas.
 
Muitos livros já foram escritos sobre a oração de Jesus, mas gostaria de também registrar alguns pensamentos singelos que me ocorreram ao meditar sobre esse modelo literalmente sobrenatural. 
 
"Jesus ensina-nos a orar", pediram os discípulos. Comecem assim: "Pai Nosso...", respondeu Jesus.
 
Pai? Sim, ao chamá-lo de pai, não o chamamos pelo nome, e sim por uma característica: ele é Pai. Essa palavra tinha um significado social diferenciado na cultura oriental em que os discípulos estavam inseridos (provedor, autoridade etc). No entanto, na oração de Jesus a palavra Abba denota intimidade, amor e admiração. "Sim, vocês devem chamá-lo de paizinho, da mesma forma que eu o chamo", é o que Cristo está dizendo. “Abba tem por nós exatamente o mesmo amor que tem por Jesus”, nos lembra o escritor Brennan Manning. 
 
Nosso? Sim, Ele é comunitário. A relação com o Pai sempre envolve a comunidade. Orar é se reconciliar com ele e com seus filhos. É pertencer a uma comunidade singular aqui na Terra. Trata-se de pessoas que deixaram a casa do "meu" e imigraram para a terra do "nosso", onde "eu", "meu" e "minha" são referências de um passado míope e egoísta.
 
Santificado seja o teu nome. Nossas atitudes revelam a quem pertencemos. O santo nome do Senhor às vezes é alvo de descrédito por conta de falhas cometidas por seus filhos. Cada um de nossos atos deve indicar o DNA divino, sejam eles públicos ou não. Como disse Moody, “caráter é o que eu sou quando ninguém está me olhando”.                                                      
Venha o teu Reino. Segundo Ricardo Barbosa, “esta é a oração mais radical que um cristão pode fazer porque o reino divino é o governo de Deus entre nós”. Eu e você fazemos parte da resposta a esse pedido, afinal a igreja é agente do Reino do Pai. 
 
Seja feita a tua vontade. Muitos casais se conhecem tão bem que um dos cônjuges identifica o que o outro quer através de sinais quase imperceptíveis. O mesmo deve acontecer conosco em relação a Deus. Conheceremos seus desejos como resultado de paixão e intimidade.
 
Perdoa as nossas dívidas. É interessante o padrão estabelecido por Jesus: assim como perdoamos os nossos devedores. E se extrapolarmos esse princípio para outras áreas? Seja generoso conosco, assim como temos doado generosamente a outros o que de ti recebemos. Aja com misericórdia conosco, assim como temos sido compassivos até para com aqueles que o mundo julga não merecer compaixão.  
 
Livra-nos do mal. Múltiplas manifestações do mal podem embaçar as lentes através das quais enxergamos a Deus. Livra-nos da autossuficiência e do orgulho, ensinando-nos a reconhecer a tua mão como origem de toda boa dádiva. 
 
Orar a oração de Jesus é pedir ao Pai que nos faça uma comunidade de amor, de solidariedade e de serviço. Uma comunidade da Graça!
 
Por CARLOS BEZERRA JR., pastor, médico e discípulo de Jesus disfarçado de deputado. Autor de lei apontada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como referência mundial no combate ao trabalho escravo. Criador do Programa Mãe Paulistana. Único parlamentar evangélico apontado como o melhor político de São Paulo pela ONG Voto Consciente – que fiscaliza a função pública. Casado com Patrícia Bezerra, pai da Giovanna e da Giulianna.

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