Papa Francisco ‘prega’ em evento que reuniu evangélicos e católicos nos EUA

Pastores convocaram cerca de um milhão de cristãos — entre evangélicos e católicos — para estarem presentes no evento ecumênico “Together 2016”. O papa Francisco foi o principal preletor da reunião.

fonte: Guiame, com informações de The Christian Post

Atualizado: Segunda-feira, 18 Julho de 2016 as 11:03

Durante o evento Together 2016, o papa Francisco incentivou o público a vestir a camisa do encontro, em vídeo gravado no Vaticano. (Foto: Together 2016)
Durante o evento Together 2016, o papa Francisco incentivou o público a vestir a camisa do encontro, em vídeo gravado no Vaticano. (Foto: Together 2016)

Líderes evangélicos norte-americanos convocaram cerca de um milhão de cristãos — entre protestantes e católicos — para estarem presentes no evento ecumênico “Together 2016” (“Juntos 2016”), que aconteceu neste sábado (16), no National Mall, em Washington, D.C.

Por meio de uma vídeo conferência, o papa Francisco foi o principal preletor da reunião. Falando em espanhol, sua língua nativa, o pontífice iniciou sua mensagem: "Eu sei que há algo em seu coração que se move e te deixa inquieto, porque uma pessoa jovem que não se inquieta é uma pessoa velha. Você tem juventude, e a juventude gera inquietação."

"Qual é a sua inquietação?", questionou Francisco aos milhares de jovens presentes no evento. Em seguida, o papa convidou o público a "encontrar o único que pode da uma resposta para a sua inquietação", e encorajou todos a vestirem a camiseta que leva o título do encontro.

"Deus não deixa ninguém desiludido. Jesus está esperando por você. Ele é aquele que plantou as sementes da inquietação em seu coração", acrescentou o pontífice. "Dê a Ele uma tentativa. Você não tem nada a perder. Experimente, e me conte depois".

Além da presença do chefe da Igreja Católica, mais 40 líderes e cantores participaram do Together 2016, como Hillsong United, Kari Jobe, Kirk Franklin, Jeremy Camp, Michael W. Smith, Casting Crowns e Lecrae.

Segundo o pastor Nick Hall, idealizador do encontro, o objetivo é que Deus transforme os corações “divididos” dos americanos. "Ver que Sua Santidade escolheu falar neste dia histórico é uma prova da urgência e da necessidade de os seguidores de Jesus se unirem em oração por nossa nação e pelo mundo", disse Hall sobre a participação de Francisco.

Esta não foi a primeira oportunidade de aproximação entre o papa Francisco e a Igreja Evangélica dos Estados Unidos. No dia 10 de junho, um grupo de pastores norte-americanos e europeus se reuniu com o pontífice no Vaticano para um diálogo sobre o cristianismo.


Pastor Nick Hall, idealizador do evento ecumênico Together 2016. (Foto: Together 2016)

Em maio do ano passado, o líder católico encontrou-se com aproximadamente 100 pastores pentecostais, provenientes de diversos países, em uma audiência privada no Vaticano. Em 2014, Francisco também chegou a se reunir com um grupo de pentecostais e com outros 350 protestantes. Durante o encontro, o papa pediu pela unidade entre os cristãos.

O engano do ecumenismo

De acordo com uma pesquisa feita pela LifeWay Research, 40% dos pastores protestantes americanos afirmam ter uma visão mais positiva sobre a Igreja Católica depois da liderança do pontífice argentino.

Para Ed Stetzer, diretor da LifeWay, observar o apoio ao papa vindo de pastores protestantes, que surgiram após a Reforma Protestante, é algo contraditório. "A pesquisa mostra, de fato, o resultado do 'Efeito Francisco', já que ele é apoiado pelo grupo de pessoas nomeadas para protestar contra a própria fé conduzida pelo papa."

"Os precursores dos atuais pastores protestantes — Lutero, Wesley, Spurgeon e muitos outros — certamente não veriam o papa como seu 'irmão em Cristo'. Dentro de alguns séculos, o papa passou de 'anti-Cristo' para 'irmão em Cristo' para muitos protestantes", alertou Stetzer.

De acordo com o pastor Bruno dos Santos, o movimento ecumênico promovido pelo pontífice apresenta mensagens de tolerância, paz e humanidade, mas é contrário ao governo de Jesus Cristo.

"No ecumenismo, Jesus Cristo perde a sua posição de Cabeça da Igreja, pois o Vaticano diz que a mãe de todas as igrejas cristãs é a Igreja Católica Romana e que o seu cabeça é o Papa. Ele pode mudar até o que Jesus e seus apóstolos ensinaram", explica o pastor.

"O ecumenismo depõe da posição de Cristo como única fonte de salvação. Se uma igreja que crê e prega que só a Fé em Cristo é que salva, misturar-se a outra que crê e prega que algo mais é necessário para 'completar, assegurar ou garantir' a salvação, como poderão conciliar posições tão distintas?", questiona.

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