Pastor Carlos Bezerra Jr. elogia Olimpíada, mas alerta: "A desigualdade social não mudou"

Carlos Bezerra Jr. fez uma reflexão sobre os "resultados" dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro e alertou que as desigualdades sociais não puderam ser mascaradas pela beleza do evento.

fonte: Guiame

Atualizado: Terça-feira, 23 Agosto de 2016 as 10:30

Carlos Bezerra Jr. aponta que a beleza dos Jogos Olímpicos não conseguiram mascarar as desigualdades sociais. (Foto: BBC)
Carlos Bezerra Jr. aponta que a beleza dos Jogos Olímpicos não conseguiram mascarar as desigualdades sociais. (Foto: BBC)

"E agora, José?". A famosa frase de Carlos Drummond de Andrade também deu o título a uma reflexão publicada pelo pastor e deputado estadual Carlos Bezerra Jr. (PSDB) em sua página do Facebook na última segunda-feira (22), fazendo um tipo de "balanço geral" dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro e lembrando que o evento acabou deixando "lições de casa nas gavetas dos brasileiros".

Bezerra Jr. reconheceu que o povo brasileiro provou seu talento durante os Jogos Olímpicos não apenas pelas medalhas conquistadas, mas também pela organização do evento. Por outro lado, ele lembrou que ao final de tudo, é preciso avaliar como a população local foi impactada (negativa ou positivamente) pela Olimpíada.

"Realmente foi uma mistura de civilidade, capacidade de realização e criatividade, que nos encheu de orgulho. Mas passadas essas duas semanas de torcidas e emoções, me pego a questionar: e agora, José?", escreveu. "Para estar pronto para os Jogos Olímpicos, o Rio passou por diversas intervenções. Como a população local foi impactada por tudo isso?".

O parlamentar destacou que apesar dos investimentos em transportes modernos, como o 'Veículo Leve sobre Trilhos' e as reformas na Barra da Tijuca, grande parte da população carioca deixou de ser beneficiada.

"A cidade investiu em corredores de ônibus e em Veículos Leves sobre Trilhos, com grandes reformas concentradas na Zona Sul, na Barra da Tijuca e na zona portuária. Mas essa remodelação não chegou nas comunidades, esses projetos não alcançaram a população mais pobre, que passa longe dos interesses de grandes grupos econômicos", afirmou.

"Ao contrário, para ceder espaço às estruturas dos jogos, famílias pobres foram realocadas, enviadas para lugares distantes dos olhares de turistas. Mesma política adotada para a população de rua".

O autor do texto também citou um estudo da FGV, que alerta que "a desigualdade social na cidade não arredou o pé de onde sempre esteve", apesar da economia do Rio de Janeiro ter sido "embalada pelas obras dos jogos".

"Desigualdade social que leva milhares de pessoas a se submeterem a condições degradantes de trabalho, como flagrante feito durante fiscalização realizada na Vila Olímpica pelo Ministério do Trabalho, ou jovens de famílias carentes que foram aliciadas por quadrilha especializada na exploração sexual de adolescentes, como constatou investigação policial", disse.

Investimento no Esporte

Bezerra Jr. também elogiou o desempenho dos atletas brasileiros, mas questionou qual o real incentivo que tais "heróis olímpicos" recebem do governo de seu país para conseguir chegar a uma medalha de ouro, prata ou bronze.

"É verdade que o Brasil fez bonito em casa com o vôlei e o futebol masculinos, na canoagem, no salto com vara, no boxe, no vôlei de praia e no judô, para citar apenas as medalhas de ouro", reconheceu. "Mas quantos desses heróis olímpicos tiveram incentivo e suporte do poder público lá na base, para chegar onde chegaram? Quantos tantos outros não poderiam competir em condições de igualdade e até de superioridade com outros atletas do mundo se tivessem os caminhos abertos para irem mais longe?".

Carlos Bezerra é deputado estadual e conhecido por sua luta contra o trabalho escravo no Brasil. (Foto: Divulgação)

Contradições

Algumas contradições também foram apontadas por Bezerra Jr. em seu texto, apontando questões urgentes como a preservação do meio ambiente e a crise de refugiados, que foram de alguma forma "mascaradas" durante os Jogos Olímpicos.

"Um país que aplaude a equipe olímpica de refugiados, mas não é capaz de dar condições para plena integração aos que aqui chegam. Um país que prega a preservação do meio ambiente na abertura dos Jogos Olímpicos, mas sequer deu conta de despoluir a Baía de Guanabara", destacou.

"Sim, algum legado, a tal palavra mágica, pode ter ficado dessa Olímpiada, mas ao final dela, acordamos nessa segunda-feira com muitas lições de casa guardadas na gaveta", finalizou.

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