Pastor considera 'direito ao aborto' para casos de microcefalia

Apesar de não se posicionar de maneira aberta sobre a liberação do aborto para casos de microcefalia, o pastor Joel Zeferino - da Aliança Batista do Brasil - tem se mostrado a favor de um debate mais amplo e do "empoderamento das mulheres" neste assunto.

fonte: Guiame, informações do Correio Braziliense

Atualizado: Quarta-feira, 17 Fevereiro de 2016 as 11:28

Um pastor brasileiro tem apontado para o 'direito ao aborto' como uma possível 'solução' para os casos de microcefalia, diagnosticados durante a gestação.

Em meio a tantas incertezas e o desespero, gerados pelo surto de microcefalia em diversos países, as investigações têm apontado para causadores da má formação, como o Zika Vírus - transmitido pela picada do mosquito Aedes aegipty. Porém há notícias de gestantes que foram infectadas e não desenvolveram microcefalia em seus bebês.

Conhecido por seus pontos de vista progressistas em questões sociais, o pastor Joel Zeferino - presidente da Aliança Batista do Brasil - tem apontado para a necessidade de um debate maior sobre a possibilidade de abortos em casos de microcefalia.

Segundo depoimento dado pelo pastor ao Correio Braziliense a Aliança ainda não tem uma opinião oficial sobre o aborto neste contexto, mas considerou que o assunto precisa entrar em debate.

"Nós não temos uma posição em torno do aborto. Entendemos que tem que ser uma questão debatida com a sociedade, mas não dá para ignorar o assunto e é preciso empoderar as mulheres nessa discussão", afirmou.

Em outra entrevista, concedida ao Catholic News Service, o pastor defendeu que esta discussão seja "aberta e democrática".

"Entendemos que esse é um problema que precisa ser discutido com a sociedade de uma forma muito mais aberta e democrática", disse.

"Precisamos incluir neste debate as mulheres que sofrem desses abortos, as mulheres que vivem nas periferias de nossas cidades, as mulheres negras. Estas são as que, de fato, recorrem a abortos ilegais".

Apesar de seu posicionamento um tanto 'polêmico' para muitos cristãos, Zeferino lembrou que esta opinião por ele apresentada (favorável ao debate e ao "empoderamento das mulheres" nesta questão) não representa todas as igrejas batistas do Brasil.


Encontro
Zeferino foi um dos líderes que participou de um encontro com Dilma Rousseff, recentemente, no Palácio do Planalto. A presidente da República reuniu líderes religiosos para pedir ajuda no combate ao mosquito Aedes aegipty - transmissor da Dengue, febre Chircungunha e Zika vírus.

A ideia da presidente é convocar os líderes cristãos a alertarem os fiéis de suas igrejas sobre a importância de eliminar os focos do mosquito.


Reação
Conhecida por militar contra a legalização do aborto, a psicóloga especializada em Direitos Humanos, Marisa Lobo criticou o posicionamento de líderes religiosos, como Zeferino. Segundo ela, esta atitude não vai de acordo com o papel que um pastor deve desempenhar.

"Eu acho saudável até mesmo pedir para que as mulheres não engravidem nesse momento, porque você só está pedindo para adiar um projeto de ser mãe. Agora, um pastor que considera a legalização do aborto diante da infecção pelo Zika vírus em mulheres gestantes - o que não dá a certeza que isso vá desenvolver microcefalia no bebê - é vergonhoso", declarou.

Marisa também apontou para o caráter de eugenia que a proposta da legalização do aborto em casos de microcefalia acaba ganhando.

"Quer dizer, então que as crianças sem qualquer deficiência aparente é bem-vinda, mas uma criança que possa ter qualquer deficiência aparente não é bem-vinda?", questionou.

A psicóloga também apontou até mesmo para uma questão espiritual, que envolve líderes religiosos e a legalização do aborto.

"Um pastor que defende o direito ao aborto está dizendo que ele não acredita que Deus pode fazer o milagre - seja de uma cura sobre essa criança ou até mesmo o milagre do amor na família que vai recebê-la. Esta criança pode trazer muitas bênçãos para sua família. A gente não ama porque a pessoa é perfeita, a gente ama com as imperfeições. Se fosse assim, Deus tinha que ter 'abortado a humanidade'. Nós somos errantes, imperfeitos, temos defeitos de caráter, morais, mas nem por isso Deus nos 'abortou", disse.

Ainda em seu depoimento, Marisa afirmou que a esquerda política tem influenciado de forma negativa muitos líderes religiosos.

"A esquerda contamina a mente até mesmo dos mais experientes no conhecimento bíblico. Muitos estão se rendendo ao materialismo humanista, relativizando o evangelho, contaminados por pensamentos da esquerda", destacou.

 

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