Polícia do Paquistão tortura irmãs de homem cristão, acusado de blasfêmia

Apesar da polícia ter aumentado a segurança na área para proteger a comunidade cristã, foi relatado que a maior parte das 60 famílias cristãs da aldeia também fugiram de suas casas.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Quarta-feira, 13 Julho de 2016 as 12:15

As acusações de blasfêmia foram formalmente aplicadas contra o cristão Nadeem James, que vive em uma província de Punjab no Paquistão. (Foto: Reprodução).
As acusações de blasfêmia foram formalmente aplicadas contra o cristão Nadeem James, que vive em uma província de Punjab no Paquistão. (Foto: Reprodução).

As irmãs de um homem cristão paquistanês que está escondido depois de ter sido acusado de blasfêmia foram presas e torturadas por policiais. O objetivo dos oficiais era fazer com que o irmão delas se entregasse.

Segundo relatos, as acusações de blasfêmia foram formalmente aplicadas contra o cristão Nadeem James, que vive em uma província de Punjab no Paquistão. Tais acusações surgiram no último domingo (10), depois que ele teve uma briga com um de seus amigos de infância que é muçulmano.

Segundo a “British Pakistani Christian Association”, sediada em Londres, James teve uma disputa com seu amigo Yasir Bashir no dia 4 de julho e acredita-se que o argumento era sobre o fato de que James havia se casado com uma mulher muçulmana e que havia se convertido ao cristianismo.

Após a disputa, Bashir acusou James, pai de dois filhos, de lhe enviar um poema que continha blasfêmias por meio do aplicativo de mensagens on-line WhatsApp. Um caso de blasfêmia foi registrado mais tarde contra James. Como a blasfêmia no Paquistão é punível com a morte, James fugiu de sua casa e não foi visto desde então.

O Centro de Assistência Legal relata que, após a acusação de blasfêmia, foram efetuadas chamadas por meio de um alto-falante nas mesquitas locais convocando os muçulmanos para queimarem as casas dos cristãos que não entregarem o acusado.

Apesar da polícia ter aumentado a segurança na área para proteger a comunidade cristã, foi relatado que a maior parte das 60 famílias cristãs da aldeia também fugiram de suas casas.

"A força policial implantada é muito pequena para qualquer proteção eficaz", disse o oficial Shamim Masih em um comunicado. "Os poucos moradores que permaneceram aqui estão aterrorizados em por a sua fé em Deus. Eles não estão saindo de casa, porque eles temem que ao sair, se deparem com seus bens saqueados. Em todas as alegações de blasfêmia, toda a comunidade é punida por causa do ‘crime’ de um homem. Isso é injusto e debilitante", ressalta.

Segundo a organização, os policiais revistaram a casa de James e quando ele não foi encontrado, eles prenderam Samreen, sua irmã, e a esposa de seu irmão, Najma, juntamente com sua filha de apenas 18 meses.

Os relatórios de outros meios indicam que Samreen e Najma foram torturadas pela polícia para que elas levassem os policiais até a localização de James. As mulheres disseram aos policiais que elas não tinham ideia de onde James estava. As irmãs e a menina permanecem detidas e a polícia afirma que elas estão detidas para fins de proteção. O irmão de James, Shaukat, disse que James nunca enviou a mensagem de blasfema através do WhatsApp.

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