Publisher critica a atuação da mídia evangélica no Brasil: “Precisamos ser relevantes”

“Esse é meu grande medo: uma igreja enorme, que está na lama, crescendo de tamanho, mas não tem tração, então patina nessa lama. Aí sim ela não é relevante, só e grande”, diz Omar de Souza.

Atualizado: Segunda-feira, 22 Setembro de 2014 as 8:52

Durante a III FLIC Salão Internacional Gospel, Omar de Souza, Publisher da editora Thomas Nelson no Brasil, falou ao GUIAME sobre as “mídias que prevalecem”, tema de sua palestra promovida pela ABME (Associação de Mídias Evangélicas), que foi adiada para outra data após a feira.

Omar explica que muitos dos veículos de comunicação evangélicos tem defendido seus próprios interesses, que vão de encontro aos objetivos de um grupo de pessoas ou da denominação na qual pertencem. “Vamos usar como exemplo uma revista que divulga materiais evangélicos voltada a empresários do meio gospel. Uma revista como essa tem sua legitimidade própria, mas não tem a característica de auto crítica dentro da igreja. Quando ela começar a pensar no interesse coletivo da comunidade cristã, aí ela começa a ganhar relevância”, afirma.

O Publisher defende que o público tem o direito de esperar algo mais de um veículo cristão, seja um pouco mais de engajamento, capacidade de olhar crítico ou uma visão mais ampla. “Não sei se li errado, mas na minha bíblia está escrito ‘ide’. Pode ser que na deles esteja escrito ‘fique’. Precisamos ser relevantes e fazer a diferença”, diz Omar.

“Se éramos 20 milhões há 30 anos atrás e hoje somos quase 60 milhões de evangélicos no Brasil, era para estarmos pelo menos três vezes mais éticos do que antes. E não somos, pelo contrário. Por mais que o número de evangélicos tenha aumentado, não dá para sentir na sociedade uma mudança positiva proporcional a esse crescimento”. Ao analisar a participação evangélica no Brasil, Omar explica que se a igreja não conseguir enxergar sua relevância e o papel que deveria cumprir, ela continuará ‘patinando’. “Esse é meu grande medo: uma igreja enorme, que está na lama, crescendo de tamanho, mas não tem tração, então patina nessa lama. Aí sim ela não é relevante, só e grande”, conclui.

Por Luana Novaes
www.guiame.com.br

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