"Se não tiver um relacionamento com Deus, cai nas armadilhas da vida", diz o jogador Cicinho

Atualmente, o jogador diz que venceu um período de depressão e tem buscado em Deus, as forças para manter-se resistente às tentações, como o alcoolismo.

fonte: Guiame, com informações do Globo Esporte

Atualizado: Segunda-feira, 12 Janeiro de 2015 as 1:55

Cicinho ao lado da esposa, Marry e a com a filha Eloah
Cicinho ao lado da esposa, Marry e a com a filha Eloah

"Eu não imaginava, mas estava depressivo e entregue à bebida". Hoje Cicinho pode se lembrar desta fase de sua vida e cita-la exatamente assim: uma fase. Porém, o ex-jogador da seleção brasileira destacou que, com a ajuda de Deus, virou esta página e hoje vive bem com a esposa Marry e a filha Eloah.

Quando retornou ao Brasil para jogar pelo Sport, em 2012, o atleta decidiu falar abertamente sobre a sua luta contra o alcoolismo e a depressão, que enfrentara entre 2009 e 2010, mas não se aprofundou tanto no assunto. Segundo ele, aquele breve testemunho já era o suficiente para mostrar a transformação pela qual havia passado.

Já na última semana, o jogador fez uma rápida passagem por Ribeirão Preto (cidade vizinha a Pradópolis, sua terra natal) e compartilhou mais detalhes da restauração de sua vida, alcançada, segundo ele, em razão do amadurecimento de sua fé e a preservação de sua família.

Queda
Já em um período cheio de glamour no Real Madrid e também como titular da Seleção Brasileira, o declive teria o seu início, instigado pelo vislumbre e o sentimento de que teria chegado ao "ápice".

"Quando encontrei Ronaldo, Roberto, Zidane, e depois fui convocado para a Copa do Mundo, pensei: 'Cheguei no ápice. O que mais eu sonho?'. Comecei a enxergar a vida de outra maneira e pensei que estava na hora de curtir. Achava que tinha conquistado tudo", contou.

O jogador também revelou que, posteriormente, já nos tempos do São Paulo na Libertadores, chegou a jogar alcoolizado, porém isto não ainda influía em seu desempenho.

Contratado pelo Roma, o atleta continuava jogando sob o efeito do álcool, porém uma grave lesão no joelho evidenciou ainda mais os seus problemas com a bebida.

"O médico disse que eu não jogaria mais. Fizeram um corte a mais na minha perna para poder limpar e reconstituir tudo. Isso me fez repensar 'será que vale a pena?'. Eu ligava direto para o meu pai para perguntar se eu poderia abandonar o futebol, mas ele dizia que eu estava maluco", contou o jogador, explicando que escondeu o alcoolismo da família por um tempo.

A partir daí, Cicinho já não via mais grandes estímulos para continuar jogando. Os treinos eram mais tão proveitosos e a bebida se tornava mais presente.

"Eu não imaginava, mas estava depressivo e entregue à bebida. Eu não queria mais responsabilidades. Eu ia dormir às 4h, 5h da manhã e acordava às 8h30 para treinar. Quando voltava, a geladeira estava cheia. Eu começava a beber", revelou.

Mas quando menos esperava, o lateral encontrou a pessoa que seria uma peça importante na transformação de sua vida. A brasileira Marry, que morava há 11 anos na Itália, conheceu o jogador e, depois de muito conversar com o atleta, decidiu levá-lo à igreja.

"Ela que me apresentou a Jesus. Recebi o convite para ir à igreja. Ela queria mexer com a minha fé. Fui, tive um encontro pessoal com Deus e senti a vida de outra maneira. Foi quando mudei totalmente minha cabeça", disse.

Atualmente, o jogador disse que tem lidado com o vício de uma forma cautelosa. Exemplo disso é que não cogita a possibilidade de entrar em um bar, a não ser que seja acompanhado de sua esposa.

"Há dois anos, quando eu passava na porta de um bar, eu tinha vontade de entrar e beber uma cerveja. Hoje, não mais. Posso até sentar num bar, mas para comer um lanche, e sempre acompanhado da minha esposa", afirmou.

"Falo tudo isso porque sou um testemunho. Se você não tem uma estrutura, um relacionamento com Deus, você vai cair nas armadilhas que a vida proporciona".

Volta ao São Paulo
O lateral que se destacou na última temporada do futebol turco não negou a vontade de voltar a jogar no São Paulo, mas reconheceu que o futuro não é decidido apenas por seus planos.

"Já falei para a minha esposa. Se um dia o São Paulo falar em para voltar, sem sombra de dúvida eu voltaria. Em 2010, quando voltei, não consegui jogar aquilo que eu jogava porque ainda estava com esse problema de alcoolismo", frisou.

Cicinho está hoje com 34 anos, mas não pensa em parar de jogar tão cedo. Ele ainda cogita atuar pelo Botafogo (SP) no fim de sua carreira. O clube o revelou ao futebol profissional.

"Você vê o Rogério Ceni, o Zé Roberto. São jogadores que têm 40 anos e não pararam. Eu estou bem, jogando em alto nível. Não tenho esse pensamento", disse.

 

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