“Se a prefeitura paga o show, você perde autoridade para confrontar a corrupção”, diz Luiz Hermínio

“Como você vai fazer um ato profético na rua se você não tem autoridade para derrubar o espírito de corrupção (já que é ele que está pagando o seu cachê)?”, questionou o apóstolo ao Guiame, falando sobre pregadores e cantores.

fonte: Guiame, Luana Novaes

Atualizado: Quarta-feira, 6 Julho de 2016 as 12:16

Luiz Hermínio no Café com Pastores e Líderes em SP, na igreja Comunhão Cristã Verdade e Vida. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Correa)
Luiz Hermínio no Café com Pastores e Líderes em SP, na igreja Comunhão Cristã Verdade e Vida. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Correa)

O apóstolo Luiz Hermínio, líder da igreja MEVAM (Missões Evangelísticas Vinde Amados Meus), tem sido uma das vozes que tem se levantado para resgatar princípios e restaurar valores na igreja brasileira.

Em entrevista ao Guiame, o líder cristão lamenta a falta de influência da igreja na educação, na cultura, na política e na mídia, quando deveria acontecer o contrário. “A igreja está sendo influenciada. Por exemplo, os cantores gospel no Brasil. A mídia secular está falida, e viram na igreja a oportunidade de ganhar dinheiro”, afirma.

Hermínio lamenta o fato de ver profetas serem vendidos às gravadoras. “Eles deveriam entender que as gravadoras é que deveriam nos servir, não a gente servir a elas. Mas eles [cantores] estão se vendendo, porque ser famoso é melhor do que ser útil. Eu prego contra isso porque para mim, isso não é uma cultura de Reino”, pontua.

“Se é a prefeitura que paga seu show, você não tem autoridade para confrontar o espírito de corrupção. Quem tem que manter você é o Reino, não é a prefeitura. Como você vai fazer um ato profético na rua se você não tem autoridade para derrubar o espírito de corrupção (já que é ele que está pagando o seu cachê)?”, questiona o apóstolo, ressaltando que nunca subiu em um altar por dinheiro, desde o início de seu ministério.

Hermínio reconhece os músicos e pastores necessitam de sustento, mas afirma que Deus cria outras formas de abençoar — como, por exemplo, a venda de CD’s e livros. “Toda obra que Deus mandou você fazer, Ele paga. Se Ele não mandou, quem paga é você”, afirma.

De acordo com o apóstolo, a igreja se tornou capitalista. “A igreja nasceu com homens que sofriam por Jesus, e viviam alegres por serem dignos de padecer por Ele. Depois a igreja entrou em Roma, e se tornou uma religião. Depois ela tomou a Grécia, e se tornou uma filosofia. Na Europa, ela se tornou uma cultura. Depois ela desceu para as Américas e se tornou um negócio”.

No entanto, Hermínio alerta que não é por meio de eventos que a igreja sairá desse sistema, e sim através das profecias. “O problema é que nós tiramos os profetas dos púlpitos e colocamos os artistas. Eu não tenho nada contra a arte, eu acho que o artista cristão é bem vindo. Só que o artista se exibe, e o profeta se manifesta. Todo profeta da Bíblia entregava a mensagem e corria para o deserto, para que a palavra tivesse mais ênfase do que ele. Hoje, infelizmente, o dançarino aparece mais do que a dança, o cantor mais do que a música, o pregador mais do que a pregação e a religião mais do que Jesus.”


Luiz Hermínio no Café com Pastores e Líderes em SP, na igreja Comunhão Cristã Verdade e Vida. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Correa)

Igreja é noiva, e não prostituta

Em 2013, o trecho de uma pregação de Luiz Hermínio tomou grande proporção entre o público nas redes sociais. “Não leve pessoas para sua igreja que cobram para cantar e pregar. Quem cobra por uma noite de intimidade é prostituta, não é a noiva. O que está sendo gerado na igreja é prazer, e não intimidade. Popularidade na terra não significa popularidade no céu”, disse ele na ocasião.

Diante da popularidade do vídeo, Hermínio fez questão de frisar que ele não tem nada contra músicos e pregadores, mas sim contra  “pessoas ímpias que estão usando os músicos para ganhar dinheiro”.

“Alguém pegou dois minutos de uma fala minha e publicou nas redes sociais, só que ali tem uma pregação de duas horas. Eu não estou falando mal dos músicos. Marquinhos Gomes, Antônio Cirilo, David Quinlan, Heloísa Rosa, Fred Arrais, Ricardo Robotella são meus amigos”, afirma.

“Mas os meninos, na gana de serem famosos, têm se entregado sutilmente, sem entender. Lá na frente, eles estão arrependidos. Tenho conversado com muitos músicos que estão arrependidos. Todo mundo está querendo voltar, eu quero voltar”, acrescenta.

“A igreja não muda, como ela quer mudar o mundo? Estamos com igrejas cheias de pessoas vazias. Deus não quer igrejas grandes, ele quer pessoas grandes. Deus não me chamou para encher cadeiras, Ele me chamou para transformar uma geração”, completa Hermínio.

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