Silas Malafaia: "Marina não é candidata dos evangélicos, é do povo brasileiro"

Em entrevista, o pastor falou sobre eleições, o seu apoio à candidata Marina Silva e criticou a atual postura do PT.

fonte: Guiame

Atualizado: Terça-feira, 9 Setembro de 2014 as 8:03

Silas Malafaia: "Marina não é candidata dos evangélicos, é do povo brasileiro"Na última segunda-feira, a revista Época publicou uma entrevista com o Pr. Silas Malafaia, que falou sobre eleições, o seu apoio à candidata Marina Silva (PSB) e criticou a atual postura do PT.

Segundo o líder, a recente mudança no plano de governo de Marina Silva - no tocante ao apoio ao movimento LGBT - não foi causada por ele e o "twittaço" que promoveu ao final do mês de agosto, mas destacou que "ninguém usa as redes sociais como os evangélicos" e lembrou que a reivindicação por ele liderada "apenas acendeu a lâmpada" (alertaram) a equipe da presidenciável.

"Entender isso é simples. Nem Marina, nem (a presidente) Dilma Rousseff, nem (o presidenciável tucano) Aécio Neves leram seus programas de governo. Entregam o texto a equipes especializadas. O programa de Marina tinha dois erros graves. A turma do LGBT (Lésbicas, Gays, Bi e Transgêneros), intransigente e exagerada, ressuscitou o Projeto de Lei 122 (que criminalizava a homofobia), já derrotado no Senado. Em relação ao ativismo gay, o programa de Marina é mais avançado que o de Dilma, levando em conta que o governo do PT tem financiado a causa gay. Estão reclamando de quê? Meus tuítes só acenderam a lâmpada na equipe da Marina para mudar o que estava escrito. Mesmo assim, não me agradou em tudo. Tem muitos pontos lá contrários à ideologia cristã", disse.

Quando questionado sobre o que o motivou a apoiar a presidenciável, Malafaia lembrou que há fatores que se estão acima da questão gay neste caso.

"Ela teve coerência. Tem coisa que o candidato promete e não dá para fugir. Marina disse uma coisa como isso: “Se for eleita presidente, não disputarei a reeleição porque não quero estar no poder pensando na continuidade do poder. Quero estar no Planalto para deixar um legado para as próximas gerações”. Quando ouvi isso, pensei: essa serva está fazendo uma colocação extraordinária. É uma declaração mais importante que a sobre o casamento gay. Marina não é candidata dos evangélicos, é candidata do povo brasileiro, que está de paciência esgotada com o PT e a corrupção deslavada. Ela interpreta essa mudança. Não me venham com 'evangeliquês' nem tentem colocar nela a pecha de fanática, porque Marina contraria muita coisa que pastor evangélico pensa", alertou.

Unanimidade?
Citada a candidatura do Pr. Everaldo (PSC) durante a entrevista, Silas Malafaia viu a "divisão" na opinião dos evangélicos como uma prova da liberdade que há entre os cristãos. Apesar disso, avaliou que Marina deve se manter como favorita do grupo.

"Isso mostra que os evangélicos não têm unanimidade em pensamento político. Cada um é livre para fazer suas escolhas. Por isso, sempre fui contra a criação de um partido evangélico. Baixo o bambu quando alguém vem com essa ideia. Temos de estar em tudo que é partido. Mas não tenho dúvidas: Marina levará de 80% a 90% do voto evangélico. A candidatura dela, o acirramento da propaganda e as redes sociais mudaram tudo. O evangélico tem interação social, porque vai à igreja pelo menos uma vez por semana. Ninguém usa as redes sociais como os evangélicos, e somos entre 25% e 27% da população. Somem a nós os católicos praticantes, também uns 25% a 27% e que, em muitos pontos, pensam igual. Já deu a maioria da população", explicou.

Apoio do PT
A mudança no plano de governo de Marina também foi sentida por Dilma Rousseff (PT), que tratou de ressuscitar uma proposta que já vinha adormecida no legislativo: estender às igrejas evangélicas, benefícios anteriormente dados somente à igreja católica no país.

A atitude foi fortemente criticada por Malafaia e a citou como "hipocrisia eleitoral".

"Vou mandar a Dilma uma caixa de óleo de peroba, porque uma garrafa só não dá. Ela pensa que nós, evangélicos, somos idiotas e otários. Doze anos de PT... só agora essa conversa? Na caneta, ela não pode decidir isso. Tem de ser o Congresso. É hipocrisia eleitoral. Estão tão desesperados que prometem o que não podem entregar", destacou.

Com informações da Revista Época

 

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