Tribunal ordena que presépio seja removido de um prédio e gera polêmica, na França

Os críticos da decisão têm acusado a estrita observância do direito secular da França como "estúpida e cega".

fonte: guiame.com.br

Atualizado: Terça-feira, 9 Dezembro de 2014 as 3:48

Tribunal ordena que presépio seja removido de um prédio e gera polêmica, na FrançaA possível remoção de um presépio, na comunidade de La Roche-sur-Yon (França) tem gerado revolta e polêmica entre os cidadãos deste país. A decisão foi anunciada por um tribunal, ordenando que as estátuas sejam removidas do Edifício do Conselho, na região.

Os críticos têm acusado a estrita observância do direito secular da França como "estúpida e cega", e o jornal "Le Parisien" insistiu que 86% de seus leitores são contra a remoção. O periódico publicou uma manchete declarando: "Poup-nos de uma guerra por um presépio" no domingo.

A ordem para a cena a ser removida seguiu a queixa do presidente do grupo de campanha secularista "Fédération Nationale de la Libre Pensée", que argumentou que as estátuas "são claramente um símbolo religioso".

"A cena da natividade [presépio] é um símbolo religioso, o que representa uma religião específica", disse Jean Regourd.

"Em teoria, isto não respeita a lei de neutralidade de edifícios públicos, nem do Estado, e não respeita a liberdade de consciência de um cidadão que vê um emblema religioso que lhes foi imposta".

Um juiz da cidade de Nantes posteriormente decidiu que a cena violava a "neutralidade religiosa em espaços públicos", concordando com os argumentos apresentados por Jean.

Porém Bruno Retailleau - um senador local - condenou esta decisão, chamando-a de "grotesca" e anunciou que iria lançar um apelo contra o seu cumprimento.

"Em seguida, serão proibidos bolos de epifania no Palácio do Eliseu", acrescentou em um comunicado. "Respeitar a laicidade não significa abandonar toda a nossa tradição e herança cultural. Devemos também proibir as estrelas do Natal que penduram em nossas ruas, agora, sob o pretexto de que um símbolo religioso vai manchar espaço público?".

Sua denúncia foi apoiada por seu antecessor, Philippe de Villiers, que taxou a decisão do tribunal como "secularismo totalitário".

"É uma forma de terror moderno, com consequências incalculáveis", disse ele.

A França consagrou a separação da Igreja e do Estado de direito em 1905, mas as tensões sectárias ainda são elevadas.

Com informações do Christian Today

*Tradução por João Neto - www.guiame.com.br 

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