Unção da Prosperidade?

fonte: Guiame

Atualizado: Segunda-feira, 1 Setembro de 2014 as 1:32

Unção da Prosperidade?Às vezes, eu sou surpreendido por alguns irmãos que me perguntam sobre a “unção da prosperidade”. É comum ouvimos alguns questionamentos sobre isso, pois é comum muitas pessoas ministrarem sobre isso. Bem, na minha opinião, a “unção da prosperidade” seria tão bíblica quanto “a unção do domínio próprio” e também a “unção de ir para o céu”. Ou seja, prosperidade não é uma unção, é uma doutrina.

Entenda, a prosperidade é uma doutrina bíblica, assim como o domínio próprio é e também o ir para o céu é. Mas, o problema é que alguns ministros, penso eu que seja sem querer, manipulam e distorcem algumas verdades bíblicas e fazem os seus ensinos contradizerem princípios da Palavra de Deus.

Não podemos condicionar a prosperidade, que é um ensino Bíblico, a uma manifestação do Espírito, assim como não podemos condicionar o domínio próprio e o ir para o céu, que também são doutrinas Bíblicas, a isto.

Geralmente, alguns pregadores citam alguns textos que relatam uma operação dos dons ou manifestações do Espírito. Um dos textos comumente citados é o de Elias com a viúva de Sarepta:

“Elias lhe disse: Não temas; vai e faze o que disseste; mas primeiro faze dele para mim um bolo pequeno e traze-mo aqui fora; depois, farás para ti mesma e para teu filho. Porque assim diz o Senhor, Deus de Israel: A farinha da tua panela não se acabará, e o azeite da tua botija não faltará, até ao dia em que o Senhor fizer chover sobre a terra. Foi ela e fez segundo a palavra de Elias; assim, comeram ele, ela e a sua casa muitos dias. Da panela a farinha não se acabou, e da botija o azeite não faltou, segundo a palavra do Senhor, por intermédio de Elias” (I Reis 17.13-16)

Percebemos claramente neste texto que houve uma operação dos dons, nesses versículos, fica clara a manifestação dos dons do Espirito Santo.

Então, se para estes pregadores, este texto retrata uma suposta “unção da prosperidade”, outros em que o poder de Deus se manifestou trazendo provisão também seriam:

Quando Jesus multiplicou os pães e peixes = Unção da Prosperidade?
Quando Jesus disse a Pedro para pegar a moeda na boca do peixe = Unção da Prosperidade?
Quando aquela mulher tocou em Jesus e foi curada, a Bíblia diz que ela gastou tudo quanto tinha, mas agora não gastará mais nada com tratamento = Unção da Prosperidade?
Não irmãos, a Bíblia não classifica esses eventos como “unção da prosperidade”, mas como manifestações do Espírito Santo. Há sim, por exemplo, “dons de cura”, mas não há, na Bíblia, nada a respeito de “dons de prosperar”.

O que são os dons do Espírito? Uma concessão momentânea do poder de Deus para se realizar algo. Em um curto período de tempo, há um poder disponível para se realizar algo de maneira sobrenatural com um fim proveitoso. Nestes textos lembrados acima, o Espírito Santo se manifestou sim, trazendo provisão. Mas, uma provisão momentânea não significa prosperidade. E a forma que Deus fez com a viúva de Sarepta ou com os outros exemplos aqui citados, não é uma fórmula que vai funcionar com qualquer que fizer algo parecido em qualquer época. Ah! E no Velho Testamento, era o profeta quem guiava as pessoas. Hoje, nós temos o Espírito Santo como o nosso guia principal, e não homem nenhum.

A prosperidade bíblica não é um evento passageiro, temporário ,como os dons do Espírito são. A prosperidade Bíblica é o resultado de dedicação no trabalho, e a graça de Deus em nossas vidas. É algo contínuo, como resultado de uma vida de obediência nossa diariamente, não em um dado momento.

Creio na prosperidade bíblica, creio que é desejo de Deus suprir TODAS as nossas necessidades, mas precisamos manejar bem a Palavra da Verdade e não tirar um texto fora do seu contexto, para inventar um pretexto.

E é justamente isso que acontece: Alguns pregadores sabem que as manifestações dos dons são por um curto período de tempo e eles condicionam a prosperidade a essas manifestações, fazendo o seguinte apelo: “Dê agora, pois se você trouxer a oferta amanhã não funcionará”.

Dessa forma, limitam a prosperidade a um curto período de tempo, mediante uma oferta generosa, aí o povo de Deus é influenciado por suas emoções a contribuir coagido ou por constrangimento ou movido por uma emoção ou promessa do tipo: “seus problemas acabaram”.

Um cristão que ouve esse tipo de apelo, ele se empolga e, no desejo de “prosperar”, acaba dando tudo que tem e até o que não pode, na expectativa de receber o resultado daquele seu investimento.

Mas, será que realmente teremos o retorno com esse tipo de motivação? O apóstolo Paulo responde essa pergunta em sua primeira carta aos Coríntios vejamos.

“E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (I Coríntios 13.1-3)

Entenda que Paulo sabia que todo crente tem o amor de Deus, pois ele escreveu isso em sua carta aos Romanos (5.5). Sim irmãos, todo crente tem o amor de Deus, mas nem todo crente é movido por esse amor. É isso que Paulo está ensinando em sua carta aos Coríntios, no contexto em que também aborda as manifestações do Espírito Santo.

O que tem impulsionado muitas pessoas a dar é o egoísmo e não o amor. Sei que é algo paradoxo, mas é verdade. Muitos filhos de Deus são induzidos a contribuir na obra de Deus com uma motivação contrária ao amor, pois é uma motivação egoísta – Dar para ter.

Repito: creio na prosperidade bíblica, creio que é o desejo de Deus suprir todas as nossas necessidades. Mas, eu também creio que precisamos sondar nossos corações, para saber se o objetivo número um para ofertamos é tão somente ter algo em troca.

Devemos sim, contribuir na igreja com nossos dízimos e ofertas, motivados pelo amor de Deus que já foi derramando em nossos corações.

Temos que alinhar nossas motivações à luz da Palavra, senão, acontecerá o que Paulo disse: “nada disso me aproveitará” (I Coríntios 13.3).

Por Marcelo Saraiva - integrante da Coordenação Doutrinária do Ministério Verbo da Vida e professor do Rhema Brasil e da Escola de Ministros Rhema

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