Vítimas de estupro do Estado Islâmico escolhem não abortar bebês

Embora a gravidez dessas mulheres tenha sido fruto da brutalidade dos terroristas, muitas escolheram manter os seus filhos.

fonte: Guiame, com informações do Christian Today

Atualizado: Quarta-feira, 24 Agosto de 2016 as 4:27

O aborto é visto como uma solução para o abuso, mesmo sendo algo ilegal no Iraque. (Foto: Reuters).
O aborto é visto como uma solução para o abuso, mesmo sendo algo ilegal no Iraque. (Foto: Reuters).

Depois que os militantes do grupo terrorista Estado Islâmico levaram milhares de mulheres e meninas como suas escravas sexuais, elas voltaram grávidas para suas comunidades. O líder espiritual "Baba Sheikh" exortou as pessoas para que as recebessem de volta sem julgamentos, pelo fato delas terem sido obrigadas a ter relações com os agressores. Apesar disso, elas tiveram algumas complicações com a vida social.

"As vítimas são nossas filhas e irmãs, mas é inaceitável em nossa religião permitir o nascimento de qualquer criança se ambos os pais não são da mesma etnia", disse Baba Sheikh. “É também uma vergonha para as tribos", acrescentou. "Se essas crianças nascem, as pessoas vão perguntar quem são seus pais. São eles afegãos? São eles europeus?", ressaltou.

Devido a isso, o aborto é visto como uma solução, mesmo sendo algo ilegal no Iraque. Apesar disso, muitas mulheres não querem se submeter ao procedimento. Rezan Dler, uma parlamentar feminina do Conselho de Representantes do Iraque que tem trabalhado em colaboração com yazidis sequestradas, revelou que é comum que as vítimas de estupro queiram manter seus bebês.

"Uma mulher Yazidi que estava grávida de oito meses quando escapou do Estado Islâmico queria manter seu bebê, mas o marido insistiu em se divorciar dela caso ela se recusasse a fazer um aborto. O casal finalmente se separou. Hoje a mulher vive em um campo de refugiados com a criança de cinco meses", disse Dler.

Em alguns casos, a vítima de estupro opta por dar à luz e, em seguida, entregar seu bebê para adoção a casais inférteis. Algumas mulheres são tão determinadas a proteger seus bebês que "elas já indicaram que preferem permanecer sob a escravidão se caso voltar para casa signifique perder o bebê", pontuou.

Dler esperava que a lei protegesse estas mulheres e seus desejos, mas, infelizmente, a legislação não está do seu lado. Xamosh Omar, juiz e consultor jurídico do parlamento curdo-iraqueano, disse que a lei impõe que estas crianças sejam tratadas como se fossem nascidas de adultério. Dessa forma, suas mães não terão o direito de criá-las.

Como mulher, o coração de Dler está com essas vítimas de estupro. "Eu sou uma mulher e eu entendo que elas foram estupradas e o que elas devem passar. Mas para o parlamento iraquiano, este é um assunto vergonhoso de ser resolvido. Eu duvido que eles permitam que esta questão seja levada para discussão, e muito menos encontre uma resposta legal ", disse ela.

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