1 em cada 4 grávidas acredita que Deus decide se bebê nascerá com microcefalia

As informações foram apresentadas pelo Instituto Patrícia Galvão nesta terça-feira (2), no Rio de Janeiro. A pesquisa foi realizada entre junho e julho com 3.155 gestantes de todas as regiões do país.

fonte: Guiame, com informações de O Globo

Atualizado: Quarta-feira, 3 Agosto de 2016 as 10:37

Criança com microcefalia na Associação Fluminense de Reabilitação, no Rio. (Foto: Guilherme Leporace/Agência O Globo)
Criança com microcefalia na Associação Fluminense de Reabilitação, no Rio. (Foto: Guilherme Leporace/Agência O Globo)

Cerca de 27% das mulheres grávidas acha compreensível que uma mãe decida pelo aborto ao receber o diagnóstico da microcefalia. Na contramão dessa ideia, uma em cada quatro acredita que não adianta interromper a gestação, pois Deus é quem decidirá se o bebê terá ou não malformação cerebral.

Estas foram informações apresentadas pelo Instituto Patrícia Galvão nesta terça-feira (2), no Rio de Janeiro. A pesquisa foi realizada entre junho e julho com 3.155 gestantes de todas as regiões do país, com o objetivo de mapear as demandas das grávidas brasileiras e identificar como elas têm lidado com o vírus zika.

O estudo, que teve apoio da ONU Mulheres e da Fundação Ford, registrou ainda que 61% dizem ter medo de descobrir, durante o ultrassom, que o bebê tem microcefalia. Por outro lado, 52% das entrevistadas desejam fazer mais exames de imagem durante o pré-natal.

A pesquisa mostra ainda que 31% das entrevistadas não planejaram a gravidez — quanto menor a escolaridade, maior o índice. Entre as mulheres com ensino superior, a gestação inesperada foi relatada por 19%, enquanto as que têm até o ensino fundamental, o índice atinge 41%.

Dentre as grávidas entrevistadas, 41% têm ensino superior ou mais, 46% declararam o ensino médio como escolaridade e 13% disseram ter até o ensino fundamental. Além disso, 31% fazem acompanhamento somente no SUS, 11% no SUS mas usa laboratórios privados, 54% só na rede particular e 4% ainda não iniciaram o pré-natal.

Abortar ou não?

Diante do avanço dos casos de microcefalia no início do ano, ativistas tentaram junto ao Supremo Tribunal Federal a aprovação de abortos para os casos da doença, diagnosticados ainda na gestação.

Por outro lado, 51% dos brasileiros acredita que as mulheres infectadas pelo vírus da zika não devem abortar, mesmo nos casos de confirmação de microcefalia no bebê — contra 39% que são a favor.

Segundo pesquisa publicada pelo Datafolha em fevereiro, 58% da população avalia que as grávidas que tiveram zika não devem interromper a gravidez, contra 32% que defendem o aborto e 10% que não opinam.

Para a psicóloga e militante pró-vida, Marisa Lobo, a má formação da criança não pode ser razão para uma prática agressiva como o aborto.

"Quem disse que uma criança que não segue os 'padrões de normalidade' não pode ser objeto de felicidade dos pais? É preconceito. E só observarmos as inúmeras crianças, que nascem com síndromes — por exemplo, de Down — como fazem seus pais felizes. O amor independe dessa 'perfeição normatizada", disse ela em entrevista ao Guiame.

Marisa ainda questionou sobre o direcionamento de recursos, que poderiam ser usados no apoio às mães de bebês diagnosticados com microcefalia, em vez investir esforços na aprovação de abortos.

"Por que não elaboram uma lei para que o governo preste assistência a essas mulheres criança em vida? Dão 'bolsa crack', 'bolsa prostituição', para travestis, e quantas mais... Por que não podem ajudar estas mães financeiramente?", indagou.

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