Acordo entre Vaticano e Palestina entra em vigor, desapontando Israel

O acordo foi assinado em junho passado, em um documento onde a Igreja Católica reconhece os Territórios Palestinos como Estado soberano.

fonte: Guiame, com informações de G1

Atualizado: Terça-feira, 5 Janeiro de 2016 as 9:36

Presidente da Autoridade Nacional Palestiniana Mahmoud Abbas e Papa Francisco. (Foto: Reprodução/ If You Only News)
Presidente da Autoridade Nacional Palestiniana Mahmoud Abbas e Papa Francisco. (Foto: Reprodução/ If You Only News)

O histórico acordo feito entre o Vaticano e a Palestina passou a entrar em vigor a partir deste sábado (2), depois de concluídas as formalidades de procedimento, anunciou a Santa Sé.

O acordo foi assinado em junho passado, em um documento onde a Igreja Católica reconhece os Territórios Palestinos como Estado soberano.

Ainda que um dos objetivos seja certificar as atividades da Igreja em locais da Terra Santa sob controle palestino, o acordo representa um símbolo do crescente apoio internacional ao Estado palestino.

"Com referência ao acordo global entre a Santa Sé e o Estado da Palestina, assinado em 26 de junho de 2015, a Santa Sé e o Estado da Palestina notificaram à outra parte que os requisitos de procedimento para sua entrada em vigor foram cumpridos", afirmou o Vaticano em um comunicado.

"O acordo consiste em um preâmbulo e 32 artigos, aborda os aspectos essenciais da vida e da atividade da Igreja na Palestina, ao mesmo tempo em que reafirma o apoio a uma solução negociada e pacífica para o confito na região", acrescenta o texto.

Desapontamento em Israel

Embora o Vaticano se refira ao "Estado da Palestina" desde o início de 2013, os palestinos consideram que a assinatura do acordo equivale a um reconhecimento de fato de seu Estado, o que irrita Israel.

Na ocasião, Israel lamentou o acordo e advertiu que isso pode ser nocivo para os esforços para a paz na região. "Estamos decepcionados pela decisão tomada pela Santa Sé. Acreditamos que tal decisão não é propícia para trazer os palestinos de volta para a mesa de negociações", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Emmanuel Nahshon.

O acordo foi assinado no Palácio pontifício pelo secretário para as relações com os Estados (ministro das Relações Exteriores), pelo prelado britânico Paul Richard Gallagher e pelo ministro palestino de Relações Exteriores, Riyad al-Maliki.

O Vaticano argumenta que o acordo expressa uma solução "do conflito entre israelenses e palestinos no âmbito da fórmula de dois Estados", conforme explicou em maio o monsenhor Antoine Camilleri, chefe da delegação da Santa Sé.

Segundo a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), este acordo torna o Vaticano a ser o 136º país a reconhecer o Estado da Palestina.

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