Acordo: Guerra de 50 anos contra as FARC pode acabar em seis meses, segundo presidente colombiano

O acordo foi simbolicamente selado e assinado em Havana (Cuba), contando com a presença do presidente cubano, Raúl Castro.

fonte: Guiame, com informações do Christian Today

Atualizado: Quinta-feira, 24 Setembro de 2015 as 12:01

Presidente da Colômbia Juan Manuel Santos e o líder das FARC Timoleón Jiménez cumprem ato simbólico para acordo de paz, na frente do presidente cubano Raúl Castro (Foto: AP Photo / Desmond Boylan)
Presidente da Colômbia Juan Manuel Santos e o líder das FARC Timoleón Jiménez cumprem ato simbólico para acordo de paz, na frente do presidente cubano Raúl Castro (Foto: AP Photo / Desmond Boylan)

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos e o alto comandante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) prometeram na quarta-feira dar fim à sua guerra que já dura 50 anos, dentro dos próximos seis meses, selando o seu pacto com um aperto de mão em Cuba. A imagem pode permanecer duradoura na história do país sul-americano.

Santos e o líder rebelde das FARC, Rodrigo Londono, mais conhecido pelo nome de guerra Timochenko, também concordaram os guerrilheiros de esquerda iriam baixar suas armas braços no prazo de 60 dias após a assinatura do acordo, que agora tem um prazo oficial de 23 de março de 2016 para entrar em vigência.

Se for bem sucedido, o acordo dará fim a um conflito que já matou mais de 220 mil e deixou milhões de pessoas sem moradia, em mais de meio século.

Uma paz duradoura seria também a marca um grande avanço para uma das economias emergentes da América Latina e poderia ser um revés contra o tráfico de drogas. Algumas unidades das FARC formaram uma aliança com os cartéis de drogas, cedendo proteção em troca de dinheiro.

O governo e os rebeldes têm estado em conversações em Havana (Cuba) por quase três anos, mas esta foi a primeira vez que Santos chegou a Cuba e a primeira vez que ele conheceu Timochenko.

"Nós não vamos falhar", disse Santos em uma cerimônia de assinatura do acordo. "O tempo de paz chegou".

Momentos depois, Santos e Timochenko se cumprimentaram com um aperto de mão. O presidente cubano Raúl Castro, que sediou a reunião, juntou as mãos 'ajudou' neste gesto simbólico.

O acordo prevê que seja criada uma uma jurisdição especial para a paz, com um tribunal que irá analisar casos relacionados diretamente ao conflito armado.

A proposta deste tribunal é instaurar uma 'justiça restaurativa', na qual vítima e agressor poderiam 'chegar a um acordo'. Caso a vítima não seja indenizada, então a pena de prisão poderá ser aplicada ao réu.


Reconstrução "levará anos"
Meio século de guerra gerou amargura e ódio em muitos colombianos, que desconfiam das negociações de paz ou querem penas mais duras para os seus inimigos, porém o centro-direita Santos apostou sua presidência nas negociações de paz. Ele ganhou a reeleição no ano passado, contra um candidato de direita que ameaçou acabar com as negociações, se eleito.

"O fim do conflito vai ser uma questão de poucos meses. A instauração da paz em nossa terra vai levar anos", disse o ministro do Interior da Colômbia, Juan Fernando Cristo, no Twitter.

O Secretário de Estado dos EUA, John Kerry chamou o acordo "progresso histórico" e telefonou para Santos, parabenizando o presidente colombiano.

Os Estados Unidos despejaram bilhões de dólares em esforços de ajuda militar e de combate às drogas na Colômbia, um dos principais aliados de Washington.

Kerry também agradeceu ao Papa Francisco por declarar seu apoio ao acordo de paz. O líder católico pediu, depois da missa celebrada em Havana, no domingo, que o governo e as guerrilhas da Colômbia acabassem com sua "longa noite de guerra" e disse que "não temos o direito de nos permitir outro fracasso".

O Papa está em viagem aos Estados Unidos, partindo de Cuba, diretamente para Washington.

"O papa terá o prazer de ouvir isso", disse o porta-voz do Vaticano Federico Lombardi aos jornalistas, referindo-se ao acordo colombiano.

 

veja também