Advogado cristão é capturado na China, após relatar torturas que sofreu na cadeia

Gao Zhisheng afirmou que já esperava se preso novamente, após falar sobre algumas sessões de tortura que sofreu em na cadeia, enquanto cumpria pena, anos atrás.

fonte: Guiame, com informações do Christian Today

Atualizado: Sexta-feira, 25 Setembro de 2015 as 2:46

Gao Zhisheng tem 51 anos e cumpriu pena em uma prisão da China, durante três anos. (Foto: Transcending Fear)
Gao Zhisheng tem 51 anos e cumpriu pena em uma prisão da China, durante três anos. (Foto: Transcending Fear)

O advogado de direitos humanos Gao Zhisheng foi novamente "capturado" por autoridades chinesas, depois de falar para fora sobre as sessões de tortura às quais teria sido submetido na prisão. As informações são da 'China Aid'.

A organização com sede no Texas informou que os agentes de Segurança Pública chineses chegaram à casa do advogado, na província de Shaanxi por volta das 13h (horário local), na quinta-feira "e começaram freneticamente a procurar por Gao". Ele já havia dito à China Aid que ele esperava ser preso novamente, depois de dar uma entrevista esta semana, na qual detalhou as horríveis torturas que sofreu enquanto esteve sob custódia das autoridades chinesas.

Falando sobre o assunto pela primeira vez em cinco anos, o homem de 51 anos de idade disse à AP que ele foi torturado por três vezes enquanto estava na prisão, e forçado a viver confinado em uma cela de sete metros quadrados, durante três anos.

"Aqueles que me perseguiam usaram todos os meios possíveis ao longo dos últimos nove anos para enfraquecer o meu espírito", disse ele. "A vida na prisão era absolutamente terrível em um nível físico... Quando eu fui torturado pela primeira vez, eu estava com medo, muito medo. Mas a segunda vez já não estava, porque é uma questão de percepção. Por que eu não estava com medo? Porque eu sabia que o medo não iria ajudar, mas sim causar mais opressão e crueldade".

Gao foi premiado duas vezes com o Nobel da Paz e tornou-se conhecido por seu trabalho em defesa dos cristãos adeptos de Falun Gong e outros grupos sociais perseguidos. Ele foi primeiro entre os detidos ilegalmente pela polícia em agosto de 2006.

Gao foi inicialmente condenado a três anos de prisão por "subversão", seguido por um período probatório de cinco anos. Durante este tempo, ele foi torturado na prisão, inclusive sendo agredido com bastões eletrificados e com um palito inserido em seus órgãos genitais, enquanto o governo interditou seu escritório de advocacia em Pequim (China).

Gao foi então condenado a mais três anos de prisão por supostamente violar os termos de sua liberdade condicional em 2011, e seus familiares só foram autorizados a visita-lo duas vezes durante esse tempo.

Ele acabou sendo liberto em agosto de 2014, mas viveu sob vigilância quase constante, enquanto vivia na região de Xinjiang. Apesar de sua esposa e filhos viverem agora nos EUA, ele se recusa a procurar exílio no exterior.

"Eu pensei em desistir e dar o meu tempo para minha família, mas é a missão que Deus me deu", disse ele à AP.

De acordo com a China Aid, que também falou com Gao esta semana antes de seu aparente sequestro, o advogado disse que estava preparado para ser torturado novamente, porque isto "não pode realmente machuca-lo" e quem vai sofrer realmente são os funcionários chineses o torturam. Ele também insistiu que não odeia aqueles que o têm maltratado.

Gao é apenas um dos muitos advogados chineses que sofrem com a repressão do governo. Segundo a Anistia Internacional, 245 jusristas têm sido alvo das autoridades chinesas desde julho; Dos quais 30 continuam desaparecidos ou sob custódia da polícia.

A notícia da detenção de Gao é divulgada quase que em paralelo à prisão do pastor Huang Yizi, da província oriental de Zhejiang, que foi formalmente detido por "colocar em perigo a segurança nacional".

O pastor Huang já chegou a cumprir pena de um ano de prisão por liderar uma vigília de oração contra demolições e retiradas das cruzes de igrejas em Zhejiang, mas foi liberto no primeiro dia de agosto deste ano (2015). Ele foi detido novamente em 12 de setembro.

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