Após assassinato de padre na França, Papa diz que 'mundo não vive guerra religiosa'

"O conceito do Papa sobre 'guerra' é tão amplo que não conseguimos imaginar uma época em que ela não aconteceu", disse o pastor e doutor Glauco Barreira sobre as declarações de Francisco.

fonte: Guiame, com informações do Christian Today

Atualizado: Quinta-feira, 28 Julho de 2016 as 1:30

Papa Francisco em visita à Polônia. (Foto: EFE)
Papa Francisco em visita à Polônia. (Foto: EFE)

"O mundo está em guerra, mas não uma guerra religiosa", disse o papa Francisco, durante sua viagem à Polônia, em razão de cinco dias de comemoração pelo Dia Mundial da Juventude no país.

O pontífice falou com repórteres no avião papal em meio a uma nuvem de desconforto e tensão, no mesmo dia que um padre teve sua garganta cortada em um ataque terrorista na Normandia, norte da França.

Logo após o ataque que fez cinco reféns e, além de matar o padre Jacques Hamel, também feriu gravemente outra pessoa, o Estado Islâmico destacou que os dois terroristas, mortos a tiros pela polícia, eram seus "soldados".

"Existe uma guerra, não temos que ter medo de dizer isso", disse o Papa Franciscos, comentando o ataque que foi especulado como uma ameaça à continuidade de sua viagem.

Mas depois ele insistiu que estava falando de "uma guerra de interesses, por dinheiro, recursos".

"Eu não estou falando de uma guerra entre religiões. As religiões não querem a guerra. Os outros querem a guerra", afirmou

Depois que ele chegou na Polônia, Francisco usou o primeiro discurso de sua viagem para cobrar do governo da Polânia, o acolhimento aos refugiados. Ele discursou no Castelo de Wawel de Cracóvia, depois de uma reunião com o presidente, o primeiro-ministro e outros líderes políticos.

Ele disse que a Polônia precisava de "um espírito de disponibilidade para acolher os que fogem das guerras e da fome, além de um espírito de solidariedade com aqueles que são privados de seus direitos fundamentais, incluindo o direito de professar a sua própria fé em liberdade e segurança".

Ele chamou os políticos a fazerem "todo o possível para aliviar o sofrimento" e "favorecerem um clima de respeito entre todos os elementos da sociedade, promovendo um debate construtivo sobre as diferentes posições".

Ele concluiu: "A vida deve sempre ser acolhida e protegida. Essas duas coisas andam juntas: boas-vindas e proteção, desde a concepção até a morte natural. Todos nós somos chamados a respeitar a vida e cuidar dela..."

Pastor Glauco Barreira Magalhães Filho é Pós-graduado em Teologia Histórica e Dogmática pela Faculdade Entre Rios do Piauí e Professor de Hermenêutica da Universidade Federal do Ceará. (Foto: Guiame)

 

Contestação
Falando com exclusividade ao Portal Guiame, o pastor da Igreja Batista Moriá, Glauco Barreira Magalhães Filho comentou as recentes declarações de Francisco e apontou elas mostram um conceito um tanto "amplo" do papa com relação ao que se chama de "guerra".

Pós-graduado em Teologia Histórica e Dogmática pela Faculdade Entre Rios do Piauí e Professor de Hermenêutica da Universidade Federal do Ceará, Dr. Glauco também afirmou que a declaração de Francisco acabou sendo tão 'generalizada' que tornou-se irrelevante em certo ponto.

"O conceito do Papa sobre 'guerra' é tão amplo que não conseguimos imaginar uma época em que ela não aconteceu. A exploração do homem pelo homem, a ganância são realidades permanentes, contra as quais os verdadeiros cristãos sempre tiveram que lutar. Por sua generalidade, o Papa não disse nada significativo ou relevante", afirmou.

Apesar da crítica inicial, Dr. Glauco destacou que esta guerra realmente não é motivada apenas por religiões, mas sim por cosmovisões que envolvem pontos de vista religiosos.

"Concordo, porém, com ele, quando diz que não se trata de uma guerra primariamente religiosa. A guerra é, acima de tudo, cultural. É um conflito de cosmovisões. De um lado, uma cosmovisão cristã (religiosa, filosófica, social, artística, etc) e, do outro, a cosmovisão islâmico-terrorista", alertou.

O professor, porém destacou que a cosmovisão cristã continua a ser ameçada em meio a tantas outras linhas, que visam desconstruí-la.

"No meio do caminho, estão aquelas cosmovisões (ideologia de gênero, feminismo, relativismo, pragamatismo, etc.), que têm por função desconstruir a cosmovisão cristã, pondo-nos naquele vazio que nos deixa vulneráveis à cosmovisão islâmico-terrorista", finalizou.

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