Atrocidades do Boko Haram estão levando crianças a cometerem suicídio

Um relatório emitido pela ONU observou que muitas crianças na Nigéria "andam com medo constante e a sensação de que podem ser atacadas a qualquer momento".

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Sexta-feira, 26 Fevereiro de 2016 as 11:30

Crianças e mulheres resgatadas do domínio do Boko Haram (Foto: Reuters)
Crianças e mulheres resgatadas do domínio do Boko Haram (Foto: Reuters)

As várias atrocidades realizadas pelo grupo terrorista islâmico Boko Haram - um dos filiados ao Estado Islâmico - sobre os civis na Nigéria, têm gerado nas crianças o desenvolvimento de vários distúrbios psíquicos, fazendo-as pensar muitas vezes em suicídio, segundo relatórios da ONU.

Cerca de 6.500 crianças também estão sofrendo com a desnutrição, devido ao conflito.

"Eu testemunhei o choque das pessoas e sua descrença diante da devastação sofrida por suas comunidades. Vi o trauma nos olhos das crianças. A escala do sofrimento está muito além do que eu esperava encontrar. As pessoas que eu conheci merecem e necessitam de proteção urgente", disse Leila Zerrougui, enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Nigéria.

O Boko Haram vem realizando tiroteios e ataques suicidas na Nigéria desde 2009, forçando mais de 900.000 pessoas - muitas delas mulheres e crianças - a fugir de suas casas no Nordeste da Nigéria, enquanto mais de 300 escolas foram destruídas, segundo relatou o jornal local 'This Day'.

As crianças foram mortas, sequestradas, forçadas à escravidão sexual e foram vítimas de uma série de outros crimes realizados contra elas.

Aliyu Ndajiwo, um estudante de medicina nas Antilhas, observou que o estresse tem piorado as condições psicológicas das crianças e alguns estão desenvolvendo graves distúrbios psíquicos, devido aos atos de terrorismo, incluindo pensamentos suicidas.

"Crianças e adolescentes estão sendo infligidos com traumas, se tornando mais propensos a desenvolver tendências suicidas e alguns deles, eventualmente, acabam cometendo o ato", disse Ndajiwo.

O relatório observou que muitas crianças na Nigéria "invariavelmente andam com medo e a sensação de que podem ser atacadas a qualuquer momento".

Ndajiwo acrescentou que "a ativação excessiva e prolongada do sistema de resposta do corpo ao estresse pode levar esta tensão ao um nível 'tóxico'. Este tipo de estresse pode dificultar o desenvolvimento saudável das crianças, afetando a cognição e o comportamento delas, além de alterar também a ação de genes reguladores de tensão e aumentar assim, o risco de doenças físicas e mentais relacionadas ao estresse".

Sule Mele, chefe do Conselho de Cuidados de Saúde Primários do Estado de Borno, afirmou separadamente que outro fator crítico que afeta as crianças é o aumento da desnutrição nos campos de refugiados, criados para as vítimas do Boko Haram.

"Nós registramos cerca de 6.444 casos graves de desnutrição nos campos de refugiados (pessoas internamente deslocadas) durante o período de visita", disse Mele disse no início desta semana, segundo a AFP.

"Outras 25.511 pessoas têm sintomas leves a moderados, enquanto cerca de 177.622 crianças não estavam desnutridas", acrescentou.

Mele também disse que pelo menos 459 crianças com idade entre 1-5 morreram no ano passado, por causa de doenças evitáveis ​​da infância, como diarreia, vómitos e sarampo, que foram agravadas pela desnutrição.

O oficial de saúde ainda advertiu que mesmo que as crianças recebam o suficiente para comer, elas ainda enfrentam o risco da desnutrição, se o alimento não atender às necessidades nutricionais diárias.

Um relatório separado pela UNICEF e pelo 'International Alert' advertiu no início de fevereiro, que algumas mulheres e seus filhos resgatados do domínio do Boko Haram estão sendo rejeitados por suas comunidades de origem, devido ao estigma social - relacionado ao estupro e às mães solteiras - e também pelo medo de que estas pessoas sejam 'terroristas' disfarçados de refugiados.

"À medida que eles retornam, muitos enfrentam a marginalização, discriminação e rejeição por parte de membros da família e da comunidade, devido às normas sociais e culturais, relacionadas à violência sexual", advertiu o relatório sobre as mulheres libertas, notando que alguns membros das comunidade têm medo que elas tenham sido radicalizadas pela terroristas islâmicos.

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