Busca por pílulas abortivas aumenta em 50%, devido a medo do zika vírus

Atualmente, o vírus está sendo ligado à causa de mais de 1.600 casos de microcefalia - uma malformação craniana - em bebês ainda na fase de gestação.

fonte: Guiame, com informações do Bem Estar (Globo)

Atualizado: Quinta-feira, 23 Junho de 2016 as 8:54

Atualmente, o vírus está sendo ligado à causa de mais de 1.600 casos de microcefalia - uma malformação craniana - em bebês ainda na fase de gestação. (Foto: Paraíba.com.br)
Atualmente, o vírus está sendo ligado à causa de mais de 1.600 casos de microcefalia - uma malformação craniana - em bebês ainda na fase de gestação. (Foto: Paraíba.com.br)

O medo dos efeitos do zika vírus em bebês no período de gestação (como a microcefalia) tem levado grávidas da América Latina a buscarem ainda mais pílulas abortivas, que estão disponíveis na internet, segundo uma nova pesquisa. Somente no Brasil, essa procura aumentou em 50% dentro de cinco meses (novembro de 2015 a março de 2016).

O estudo foi publicado na última quarta-feira (22), pelo jornal científico The New England Journal of Medicine", mostrando pela primeira vez, estatísticas sobre reações das gestantes diante dos alertas sobre o zika vírus onde a prática do aborto é limitada ou proibida.

Atualmente, o vírus está sendo ligado à causa de mais de 1.600 casos de microcefalia - uma malformação craniana - em bebês ainda na fase de gestação.

No Brasil, o aborto não é legalizado, exceto em casos de estupro, quando a vida da mãe corre perigo ou quando a criança não tem condições de saúde, suficientes para sobreviver.

A pesquisa também informou que as buscas pelas pílulas aumentaram em outros países latino-americanos, como : El Salvador (35,6%); Costa Rica (36,1%); Colômbia (38,7%); Honduras (75,7%); Venezuela (93,3%) e Equador (107,7%).

Muitas das solicitações têm sido feitas pelo site 'Women on Web' , uma organização sem fins lucrativos que permite o acesso a pílulas abortivas, além de consultas online para mulheres de países onde o aborto é ilegal ou limitado. O site serviu como base para a pesquisa.

As pílulas são oferecidas para mulheres que estão nas 10 primeiras semanas de gravidez, para que estas possam induzir abortos.


Aborto e traumas
Segundo profissionais da área psíquica e médicos de outras áreas, o aborto - seja ele como procedimento cirúrgico ou por meio de remédios - pode gerar grandes traumas na mulher que se submete a tais procedimentos.

"Quando uma mulher provoca aborto, os traumas criados são pela culpa de ter tirado a vida de um ser inocente, que ela entende como tal, e não do procedimento em si. [...] Essa culpa vai depender da história de vida dessa mulher, de seus valores e princípios. Depois do aborto, algumas tem ideias suicidas – não por ter feito um aborto legal ou ilegal, mas sim por ter tirado uma vida, que fazia parte da sua – é isso que as pessoas que lutam pelo aborto negligenciam: O amor a si mesmo e ao próximo", alertou a psicóloga Marisa Lobo em em entrevista exclusiva ao Guiame.

Uma das muitas histórias que comprovam esta afirmação é o testemunho da ex-feminista Sara Winter, que atualmente é mãe do pequeno Vitor Valentim, mas chegou a fazer um aborto quando ficou grávida pela primeira vez.

"O que eu mais ouvia era: 'Aborta! Porque isso não é uma vida, é um amontoado de células'. Eu fui para um grupo feminista, procurando ajuda, um emprego, um abraço de amigas, mas o que eu encontrei foram quatro comprimidos de Citotec [remédio abortivo]. Eu recebi esses comprimidos de uma médica, uma ortopedista e fiz a pior coisa da minha vida", relatou Sara, durante uma audiência pública no Senado.

Clique no vídeo abaixo para conferir:

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