Com ajuda de igreja, ex-morador de rua distribui 1,5 mil marmitas por mês

"Eu dedico a minha vida a ajudar os moradores de rua", afirma Eduardo Flores que, aos 30 anos, é casado e espera pela segunda filha.

fonte: Guiame, com informações de G1

Atualizado: Terça-feira, 28 Junho de 2016 as 4:35

Leandro, morador de rua, conversa com Eduardo após receber a marmita. (Foto: Joyce Heurich/G1)
Leandro, morador de rua, conversa com Eduardo após receber a marmita. (Foto: Joyce Heurich/G1)

Todas as semanas, Eduardo Flores cumpre seu compromisso de distribuir marmitas e pregar o Evangelho para moradores de rua em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Quem o vê hoje, demora a acreditar que por quase três anos, ele costumava passar as noites nas calçadas da cidade.

Nas ruas, Eduardo chegou a fumar mais de 30 pedras de crack por dia. “Meu único propósito era R$ 5, eu vivia para a próxima pedra, não tinha perspectiva, não tinha sonho”, disse ele ao G1.

Há dois anos, meses depois de sair das ruas, Eduardo passou a cozinhar para pessoas que estavam sob as mesmas condições. "Ganhei um fogãozinho velho e um botijão de gás e, quando ia fazer um arroz e um feijão para mim, já fazia um pouco a mais", conta.

De 300 marmitas por mês, Eduardo passou a distribuir 1,5 mil e já conta com a ajuda de outras seis pessoas na preparação e distribuição. "Eu dedico a minha vida a ajudar os moradores de rua", afirma ele que, aos 30 anos, é casado e espera pela segunda filha.

Uma vida nas ruas

Na adolescência, Eduardo começou a vida de vícios com o álcool. Após a morte da avó, que o criou desde sua saída do orfanato, se afundou nas drogas. Por causa do uso de crack, Eduardo foi expulso de casa pela namorada, com quem morava e teve a primeira filha, Ketlin Vitória, hoje com 9 anos.

Eduardo foi buscar consolo nas ruas, mas não o encontrou. Há dois anos e nove meses, ele foi tocado pelo amor de Jesus Cristo por meio de uma igreja que doava sopas a moradores de rua.

Ele passou nove meses dormindo no salão da igreja, período em que seu maior desafio foi viver longe das drogas. "A abstinência não era maior do que a alegria que eu tava de ter um teto para morar. Eu chorava de alegria ao tomar um café, ao comer um prato de comida", lembra Eduardo.

Um amigo da igreja ofereceu a ele um quarto nos fundos de uma oficina, em Porto Alegre, onde ele poderia morar sem pagar nada, provisoriamente. Essa oportunidade transformou seu destino.

Mudança

Eduardo ainda mora atrás da oficina, mas paga o aluguel da casa e formou uma nova família. Casou-se com Natasha Maciel Flores, 24 anos, que está grávida de sete meses. "Em setembro chega a Hadassa, é o último nome da rainha Ester, significa a flor mais cheirosa do jardim", explica Eduardo.

Hoje, Eduardo conta seu testemunho em diversos estados do país. "Meu sonho é continuar ajudando muita gente, constituir cada vez mais a minha família, criar minhas filhas e fazer feliz a minha esposa", almeja.

Interessados em contribuir com doações para o projeto de Eduardo, podem entrar em contato pelos telefones: (51) 9465-8713 ou (51) 9313-8297.

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