Como o Papa Francisco usou sua popularidade para influenciar os EUA

"Dentro de alguns séculos, o papa passou de 'anti-Cristo' para 'irmão em Cristo' para muitos protestantes", alertou Ed Stetzer, diretor da LifeWay.

fonte: Guiame, com informações de AP

Atualizado: Quinta-feira, 1 Outubro de 2015 as 3:13

 


Papa Francisco sendo recepcionado pelo presidente americano Barack Obama e Sua esposa, Michele.

 

Passando por lugares como o Congresso dos Estados Unidos, uma escola católica com famílias imigrantes, a Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU) e uma prisão na cidade de Curran-Fromhold, o Papa Francisco provou, em sua visita aos EUA, que sabe conectar pontes entre os mais extremos reinos dos desfavorecidos aos da elite, acima de qualquer batalha ideológica.
 
Desde que pisou em solo americano, ele abordou questões que raramente são expostas na vida pública americana. Na Casa Branca, com o presidente Barack Obama, ele defendeu a liberdade religiosa, enquanto procurava medidas urgentes para aliviar a mudança climática. 
 
No Congresso, ele buscou apoio do governo americano aos refugiados, proclamando também o dever de "defender a vida humana em todas as fases de seu desenvolvimento" — um desafio ao direito do aborto. De pé em diversos altares, diante dos bispos norte-americanos, ele reconheceu as dificuldades de ministrar em meio às "mudanças sem precedentes que vêm ocorrendo na sociedade contemporânea" — um reconhecimento ao casamento gay.

Por outro lado, ele pediu aos líderes católicos americanos para criarem uma igreja calorosa, evitando uma linguagem "dura e divisionista" que pode gerar uma visão "estreita" do catolicismo, ao que ele chamou de "perversão da fé".

As palavras de Francisco ascenderam questões dentro e fora da Igreja Católica. "O papa é muito hábil politicamente. Mesmo que as pessoas discordem dele, em alguns pontos, irão encontrar nele um homem muito atraente e persuasivo. Eu o acho muito inspirador", disse John Green, especialista em religião do Instituto Bliss de Política Aplicada da Universidade de Akron, em Ohio.

Assim ele fez com muitos americanos. Milhares de pessoas embaladas por aplausos e bandeiras foram às ruas de Washington, Nova York e Filadélfia para cumprimentar e ver Francisco. Em seis dias de viagem, apesar da alta segurança, o Papa conseguiu injetar espontaneidade por onde passava — beijando bebês, indo a um evento de última hora para honrar as relação católica-judaicas e recitando um texto na Filadélfia para uma meditação sincera sobre vida familiar.
 
Em meio a todas as cerimônias oficiais e às multidões, ele fez gestos de compaixão que se tornaram emblemáticos em seu papado. Ele se curvou, em oração, sobre uma criança com deficiência, enquanto o pai soluçava ao ver a cena em Nova York, além de dar um 'abraço de urso' em um detento na visita à prisão em Filadélfia.
 
Francisco quebrou uma barreira nos EUA: ele se tornou o primeiro papa a discursar no Congresso. Isso forneceu um destaque para a igreja católica na vida pública, numa altura em que cerca de um quarto dos norte-americanos dizem não ter uma fé em particular.
 
Contradição 
 
A política da boa vizinhança de Francisco, seus esforços para trazer a paz mundial à existência e a mudança de conceitos religiosos indo de encontro a interesses sociais contemporâneos fazem com que o papa seja aceito pela maioria dos países, mas rejeitado por tudo o que Jesus Cristo, aquele que deveria ser o alvo do cristianismo, prega no Evangelho.
 
De acordo com uma pesquisa feita pela LifeWay Research, até mesmo 40% dos pastores protestantes americanos afirmam ter uma visão mais positiva sobre a Igreja Católica depois da liderança do pontífice argentino.
 
Para Ed Stetzer, diretor da LifeWay, observar o apoio ao papa vindo de pastores protestantes, que surgiram após a Reforma Protestante, é algo contraditório. "A pesquisa mostra, de fato, o resultado do 'Efeito Francisco', já que ele é apoiado pelo grupo de pessoas nomeadas para protestar contra a própria fé conduzida pelo papa."
 
"Os precursores dos atuais pastores protestantes — Lutero, Wesley, Spurgeon e muitos outros — certamente não veriam o papa como seu 'irmão em Cristo'. Dentro de alguns séculos, o papa passou de 'anti-Cristo' para 'irmão em Cristo' para muitos protestantes", alertou Stetzer.

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