Condenado por terrorismo, professor da Universidade Federal do RJ é deportado do Brasil

O franco-argelino Adlène Hicheur havia sido preso em 2009 por associação com o grupo terrorista Al Qaeda e chegou ao Brasil em 2013. O grupo extremista é um dos fortes perseguidores de cristãos no Oriente Médio.

fonte: Guiame, com informações d'O Dia

Atualizado: Sábado, 16 Julho de 2016 as 8:13

Adlène Hicheur é especialista em física das partículas elementares e teria sido preso após ter suas conversas com a Al Qaeda descobertas em 2009. (Foto: Globo)
Adlène Hicheur é especialista em física das partículas elementares e teria sido preso após ter suas conversas com a Al Qaeda descobertas em 2009. (Foto: Globo)

Na noite desta sexta-feira (15), o franco-argelino Adlène Hicheur - que trabalhava como professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - foi deportado do Brasil. O homem já havia sido condenado por terrorismo na França (filiado à Al Qaeda), preso em 2009 e, após cumprir pena, chegou ao Brasil em 2013.

Junto a grupos como o Estado Islâmico, a Al Qaeda, Taliban e Boko Haram são grupos terroristas que agem de forma extremista, impondo seus princípios islâmicos e promovendo uma implacável perseguição contra cristãos e membros de outras religiões.

O reitor da UFRJ, Roberto Leher tentou reverter a situação e buscar mais informações sobre o caso, junto à Polícia Federal.

O reitor afirmou à equipe do 'Dia' que não compreende o motivo da deportação e nem a razão pela qual ele está sendo levado de volta à França. Leher também considerou a abordagem "injusta".

"Essa decisão é muito preocupante. A UFRJ zela pelo estado democrático de direito e ao professor não está sendo dada a presunção de inocência, já que o Ministério da Justiça não apresentou os motivos da deportação. Por que ele será levado à França, se a família dele está na Argélia?", questionou.


Relembre o caso
Conforme relatório da revista Época, Hicheur foi condenado pela Justiça da França por ter planejado atentados terroristas. O argelino que conseguiu cidadania francesa cumpriu pena de cinco anos de prisão na capital francesa, porém alegou inocência.

Em 2009, o estrangeiro tirou licença médica pela Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (CERN, na sigla em francês), que fica em Genebra, na Suíça.

Especialista em física das partículas elementares, Hicheur foi para a casa de seus pais, na França e então passou acessar um fórum online, utilizado por extremistas islâmicos.

Cerca de 35 e-mails - os quais a revista "Época" teve acesso - mostravam que o argelino se comunicava com um tipo de 'interlocutor', identificado apenas como 'Phenix Shadow'. As mensagens foram decodificadas pelas equipes da Inteligência francesa.

O governo francês informou que 'Phenix Shadow' seria Mustapha Debchi, membro da al-Qaeda - mesmo grupo terrorista de Osama bin Laden - na Argélia.

Hicheur passou a ser monitorado pela polícia francesa, devido ao risco expresso nas mensagens por ele trocadas. Nas conversas, 'Phenix' convidou Adlène para trabalhar para o grupo na França.

“Caro irmão, vamos direto ao ponto: você está disposto a trabalhar em uma unidade de ativação na França? Que tipo de ajuda poderíamos te dar para que isso seja feito?”, dizia a mensagem do interlocutor.

“Sim, claro" foi a resposta de Hicheur, cinco dias após o convite. O cientista também revelou sua vontade de deixar a Europa nos próximos anos, mas estava disposto a rever estes planos.

Sua estratégia seria: “Trabalhar no seio da casa do inimigo central e esvaziar o sangue de suas forças”.

Adlène foi preso pela polícia francesa depois de susas mensagens serem descobertas.

Jihad Ahmad Deyab, um terrorista e ex-presidiário sírio que já havia se filiado à Al Qaeda, teria fugido para o Brasil. (Foto: Avianca)


Tensão
Há tempos, o temor de atentados terroristas no Brasil vem crescendo cada vez mais. A proximidade dos jogos olímpícos no Rio de Janeiro estão projetando os olhares de todo o mundo sobre o país. Notícias recentes têm soado como alertas contundentes sobre o assunto.

Um desses fatos foi a descoberta da presença de um provável recrutador do Estado Islâmico no Brasil. As investigações da Agência Brasileira de Inteligência estariam focadas em um militante do Estado Islâmico que se identifica nas redes de propaganda do grupo como Ismail Abdul Jabbar Al-Brazili.

Somada à lista de notícias alarmantes, está a prisão de um paquistanês sob - feita pela própria esposa - sob acusação de planejamento terrorista. Segundo informações da Polícia, a mulher do suspeito foi pessoalmente até o 21º Batalhão da PM em São Sebastião (DF), para informar que o estrangeiro estava planejando "explodir o aeroporto Juscelino Kubitschek" nesta segunda-feira (11).

Outro fato que também pode ser acrescentado a esta lista, foi o alerta emitido pela companhia aérea Avianca de que um terrorista e ex-presidiário sírio que já havia se filiado à Al Qaeda teria fugido para o Brasil. Jihad Ahmad Deyab cumpriu pena na prisão de Guantánamo, porém havia sido acolhido como refugiado no Uruguai.

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