Conselho de Psicologia cita audiência com ex-homossexuais e tenta associa-la à 'cura gay'

Segundo o vice-presidente do CFP, Rogério de Oliveira Silva, a audiência foi uma 'estratégia' para derrubar a resolução 01/99, a qual afirma que a homossexualidade não caracteriza nenhum tipo de doença e 'regula' a atuação dos psicólogos com relação à orientação sexual.

fonte: Guiame, com informações do CFP

Atualizado: Sábado, 27 Junho de 2015 as 3:49

Ex-homossexual, Pastor Joide Miranda compartilha seu testemunho de transformação com parlamentares na Câmara dos Deputados
Ex-homossexual, Pastor Joide Miranda compartilha seu testemunho de transformação com parlamentares na Câmara dos Deputados

Na última quarta-feira (24), pessoas que relataram ter abandonado a homossexualidade foram ouvidas por parlamentares em uma audiência, no plenário 9 da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).

Apesar de ter sido requerida oficialmente pelo deputado federal Pastor Marco Feliciano, a audiência foi inicialmente uma solicitação feita pela psicóloga e especialista em Direitos Humanos, Marisa Lobo, com a intenção de comprovar que a homossexualidade é uma conduta e pode ser abandonada (ou não) pelo próprio homossexual, conforme a decisão deste.

Porém o Conselho Federal de Psicologia (CFP) publicou uma nota em seu site oficial, criticando a audiência e tentando associa-la à popular (e erroneamente) chamada 'cura gay'.

Segundo o vice-presidente do CFP, Rogério de Oliveira Silva, a audiência foi uma 'estratégia' para derrubar a resolução 01/99, a qual afirma que a homossexualidade não caracteriza nenhum tipo de doença e 'regula' a atuação dos psicólogos com relação à orientação sexual.

“O que está colocado aqui é uma estratégia de um grupo de deputados que quer reacender esse debate para derrubar essa resolução. Onde a Psicologia estiver sendo ameaçada, o Conselho tem a obrigação de participar e se posicionar, defendendo de forma veemente a nossa profissão”, concluiu.

Segundo Marisa Lobo, a atitude do Conselho Federal de Psicologia em emitir tal nota não foi correta, pois distorceu os reais objetivos da audiência.

"O site do Conselho de Federal de Psicologia foi extremamente antiético. Tentou vincular a audiência à 'cura gay', enquanto a nossa proposta era apenas mostrar a existência de ex-homossexuais e evidenciar que estas pessoas existem, devem ser respeitadas e acolhidas pelo próprio Conselho", disse.

"Em nenhum momento eu me pronunciei como psicóloga naquela audiência. Eu me posicionei como especialista em Direitos Humanos que sou como uma líder daquele grupo. Não sou psicóloga de nenhuma daquelas pessoas que ali falaram. Não promovi cura gay. Nós dissemos isto exaustivamente, mas eles não querem ouvir. Parece que estão com um bloqueio".

"Diversidade" em contradição
Marisa também apontou incongruências no tocante à resolução 01/99 do CFP e o que realmente acontece na prática.

"Eles promovem a 'diversidade', a 'pluralidade' sexual e ao mesmo tempo impedem a pessoa de existir na sua sexualidade desejada. Ou seja, eles mesmos impedem que as pessoas pratiquem a pluraridade e diversidade sexual. Eles fazem isso de forma ditatorial. As pessoas que não querem mais viver na homossexualidade são impedidas de buscar ajuda, o que contraria a própria resolução deles, que diz que nós não podemos forçar ou patologizar qualquer decisão nesta área", destacou.

"O que acontece é que quando impedem um homossexual insatisfeito com sua sexualidade de procurar ajuda, eles estão patologizando a decisão deste, estão agindo com preconceito, não suportando a diversidade. Eles [Conselho] são ditadores. O CFP não deveria ter escrito este texto desta forma".

Calúnias
Marisa Lobo ainda destacou a atitude caluniosa do Conselho de Psicologia contra ela e o deputado federal Marco Feliciano e assegurou que as devidas providências serão tomadas.

"Usaram o nome do deputado Marco Feliciano, sendo que ele não tem nada a ver com a história. A ideia da audiência foi minha, ele apenas formalizou o requerimento. Esta tentativa de usar o nome de um cristão para induzir ódio e preconceito diante da nação é inaceitável. Isto tem que que acabar e nós vamos entrar com uma ação judicial contra o Conselho de Psicologia", afirmou.

Apesar de não citar o nome de Marisa Lobo em sua nota, ao final do breve texto, o Conselho recomendou links de diversas matérias que citavam a audiência e apontavam que 'a psicóloga que cura gays' esteve presente, discursando sobre o assunto.

 

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