Cópia mais antiga da Bíblia hebraica é reconhecida como tesouro mundial pela UNESCO

A UNESCO acrescentou o livro sagrado no Registo da Memória do Mundo, que homenageia algumas das mais importantes descobertas relacionadas à história da humanidade.

fonte: Guiame, com informações de The Christian Post

Atualizado: Sexta-feira, 12 Fevereiro de 2016 as 12:03

O Codex chegou a Israel em 1958, e foi transferido para o Museu de Israel, em meados dos anos 1980. (Foto: Michal Chelbin/ The New York Times)
O Codex chegou a Israel em 1958, e foi transferido para o Museu de Israel, em meados dos anos 1980. (Foto: Michal Chelbin/ The New York Times)

A cópia mais antiga da Bíblia hebraica, apelidada como “Codex de Alepo”, foi reconhecida pela UNESCO no início desta semana como um tesouro mundial.

A Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura acrescentou o livro sagrado no Registo da Memória do Mundo, que homenageia algumas das mais importantes descobertas relacionadas à história da humanidade.

Acredita-se que o Codex foi escrito por volta do ano 930 d.C. na cidade de Tiberíades, às margens do Mar da Galiléia. Depois disso, a Bíblia foi sendo transportada em várias cidades diferentes, resultando na perda de 190 páginas da cópia sobrevivente.

O livro sagrado foi levado para a Síria e mais tarde, foi contrabandeado. O Codex chegou a Israel em 1958, e foi transferido para o Museu de Israel, em meados dos anos 1980.

Ainda não é claro quem, de fato, eram os donos do Codex. No entanto, o cineasta Avi Dabach, que está planejando fazer um documentário sobre o manuscrito antigo, acredita que ele tenha pertencido à comunidade judaica que fugiu da Síria.

Embora o Codex de Alepo seja considerado a mais antiga cópia do Antigo Testamento hebraico, há fragmentos muito mais velhos de manuscritos bíblicos existentes, como os pergaminhos do Mar Morto, escritos há 2000 anos.

Segredos do Mar Morto

Conhecidos como "Manuscritos do Mar Morto", a coleção de centenas de textos foi encontrada nas cavernas de Qumran, no Mar Morto, no fim da década de 1940. A autoria dos pergaminhos é atribuída aos Essênios, que viveram em Qumran do século II a.C. até aproximadamente o ano 70 d.C.

De acordo com o correspondente do Guiame em Israel, Marcos Corrêa, o grupo dos Essênios era formado por homens que viviam voluntariamente no deserto. "Eles formavam um grupo de pessoas que se separou para poder se purificar. Conta a história que João Batista veio a pertencer a esse povo", aponta ele.

Um indício disso é que os Essênios se encaravam como cumpridores de Isaías 40:3, que fala a respeito de uma voz que clama no deserto para tornar reta as veredas de YHWH. Diversos fragmentos de rolos mencionam o Messias, cuja vinda era encarada como iminente pelo grupo.

Outro indício diz que era costume que os nomes de seus membros tivessem o nome de Deus, como exemplo Obadias (ObadiYah), Jeremias (YarmiYah) e João (YahUkhanaan).

Aqueles que entravam no grupo precisavam realizar o ritual do Batismo nas águas e passar por três anos de probatório. "João Batista ficou por dois anos e se retirou. Essa história não é comprovada, mas isso é o que relata os escritos dos Essênios. Eles escreviam absolutamente tudo o que eles faziam, e iam guardando. Até hoje foram descobertos cerca de 15 mil escritos dos Essênios", conta Marcos.

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