Escola transforma festa junina em "festa da colheita" para incluir alunos evangélicos

Para integrar os alunos evangélicos, o Instituto Educap, de Campo Grande (MS), decidiu deixar de lado a tradicional festa junina para dar lugar a “festa da colheita”, uma celebração laica.

fonte: Guiame, com informações de UOL

Atualizado: Quarta-feira, 29 Junho de 2016 as 4:22

Mesmo na festa da colheita, os alunos se vestem de camisa xadrez e chapéu de palha como nas festas juninas tradicionais. (Foto: Arquivo pessoal)
Mesmo na festa da colheita, os alunos se vestem de camisa xadrez e chapéu de palha como nas festas juninas tradicionais. (Foto: Arquivo pessoal)

Depois de notar a diminuição do número de alunos nas festas juninas, por causa do receio de famílias evangélicas em ver seus filhos participando de comemorações católicas, o Instituto Educap, de Campo Grande (MS), decidiu transformar a celebração.

Para integrar esses alunos, a escola decidiu deixar de lado a tradicional festa junina há dois anos, para dar lugar a “festa da colheita”, uma celebração laica.

"Percebemos que nossa festa estava no automático. Só reproduzir a festa não vale a pena se não for algo bem reflexivo. Por isso, fizemos um resgate da colheita, da questão da alimentação na vida das pessoas. A festa da colheita tem o objetivo de celebrar os alimentos", disse Celia Tavares Rino, diretora pedagógica do Instituto Educap, ao site UOL.

Antes da festa, os professores promovem discussões sobre alimentação com os alunos. Neste ano, os alunos da educação infantil, por exemplo, estudaram a farinha. Já os estudantes do nono ano, os mais velhos do colégio, discutiram os problemas do meio rural.

"Tudo o que nós vamos fazer ele parte de um currículo vivo. A festa pela festa não tem sentido. Tem sentido sim se você faz um resgate histórico e cultural. Mostrar, por exemplo, que a cultura do campo é diferente da cultura urbana", explicou Celia.

As características da nova festa são muito semelhantes à junina: além de muita comida, há espaço para danças e uma decoração rural. Os alunos mais novinhos vão vestidos como caipiras, já os mais velhos, segundo a diretora, não se importam com isso.

"Desconstruímos a festa e agora as crianças evangélicas participam. O foco no alimento fez um leque maior de abrir", completou a pedagoga.

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