Estado Islâmico faz reféns e corta a garganta de padre em igreja, na França

O ataque à igreja na Normandia e a morte do padre Jacques Hamel geraram comoção e expressões de luto em toda a França e outros países da Europa.

fonte: Guiame, com informações do Christian Today

Atualizado: Terça-feira, 26 Julho de 2016 as 10:50

As autoridades francesas iniciaram uma investigação anti-terrorismo e o promotor anti-terror vai liderar as ações investigativas. (Foto: Francois Mori/Associated Press)
As autoridades francesas iniciaram uma investigação anti-terrorismo e o promotor anti-terror vai liderar as ações investigativas. (Foto: Francois Mori/Associated Press)

Um padre francês foi morto em um ataque do Estado Islâmico, que fez reféns em uma igreja católica esta terça-feira pela manhã, na Normandia, norte da França.

O padre Jacques Hamel teve a garganta cortada por "dois terroristas que afirmavam ser integrantes do Estado Islâmico", conforme informou o presidente francês, François Hollande. O líder católico foi morto, enquanto celebrava uma missa em uma igreja, na pequena cidade de Saint-Etienne-du-Rouvray, perto de Rouen.

Outro refém ficou gravemente ferido e no momento está "lutando por sua vida", disse o Ministério do Interior francês.

Os dois terroristas invadiram a pequena igreja durante a missa matinal desta terça-feira (26) e mantiveram cinco pessoas como reféns no interior do templo. Entre os reféns estavam duas freiras e dois membros da comunidade cristã, bem como o sacerdote de 84 anos - posteriormente assassinado.

Os sequestradores foram mortos a tiros pela polícia, que confirmou ter "neutralizado" os dois homens, que estavam portando armas cortantes.

O Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelo ataque e disse que os sequestradores eram "dois soldados do Estado Islâmico". Um dos terroristas era conhecido pela inteligência francesa e estava na "lista de observação contra o terrorismo", segundo a imprensa local.

O canal de TV francês 'M6' relatou que um dos agressores tinha tentado viajar para a Síria anteriormente e chegou a ser preso no aeroporto. Após a detenção, ele foi liberado com um tipo de localizador eletrônico, segundo a M6.

As autoridades francesas iniciaram uma investigação anti-terrorismo e o promotor anti-terror vai liderar as ações investigativas.

O padre francês Jacques Hamel foi assassinado aos 80 anos, por terroristas do Estado Islâmico. (Foto: Le Figaro)

 


Luto
Um porta-voz da polícia disse que o presidente Hollande e o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve irão a comunidade católica, que foi particularmente visada ​​no ataque.

O primeiro-ministro francês Manual Valls expressou seu "estarrecimento" pelo "ataque bárbaro" à igreja. "Toda a França e todos os católicos estão feridos. Vamos ficar juntos neste momento", escreveu ele em sua conta do Twitter.

O Papa Francisco lamentou a "dor e horror desta violência absurda". Seu porta-voz disse que líder maior da Igreja Católica está atualmente na Polônia em razão das celebrações do Dia Mundial da Juventude Católica no país.

O ex-presidente da França, Nicholas Sarkozy disse que "a alma da França" foi afetada pelo ataque e pela morte trágica do padre Hamel.

O arcebispo de Canterbury (Igreja Anglicana), Justin Welby twittou que "o mal geralmente ataca os mais fracos".

Em sua página oficial do Facebook, o filósofo católico brasileiro Francisco Razzo refletiu que um ataque deste tipo não atinge somente a igreja católica, mas sim "qualquer minoria vítima da opressão ocidental".

"Quando atacam a Igreja Católica e matam um padre não vemos muita comoção internacional, filtros na foto do perfil, frases do tipo 'somos todos católicos'. Agora, substitua 'Igreja Católica' e 'padre' por qualquer 'minoria vítima da opressão ocidental", destacou.

"Hoje, o maior problema do ocidente é a sua fragmentação espiritual, sua incapacidade de se autoafirmar. Portanto, uma ameaça interna. O terrorismo, como ameaça externa, é a confirmação dessa incapacidade".

O ataque é o mais recente de uma série de ataques mortais na Europa. Na França, o ataque ocorrido na Normandia ocorre 12 dias depois de um tunisiano de 31 anos de idade ter matado 84 pessoas na cidade francesa Riviera de Nice, quando ele usou um caminhão para atropelar uma multidão que participava das festividades do Dia da Queda da Bastilha (tradicional festa francesa).

O Estado Islâmico também reivindicou a responsabilidade pelo ataque em Nice.

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