Estado Islâmico usa Whatsapp e Telegram para vender crianças a terroristas pedófilos

De acordo com agências internacionais, diversos terroristas do Estado Islâmico estão usando os aplicativos móveis para vender e comprar meninas de cerca de 12 anos de idade, como escravas sexuais.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Quinta-feira, 7 Julho de 2016 as 12:42

Estado Islâmico tem recorrido a aplicativos como Telegram e Whatsapp para conseguir ampliar o comércio de escravas sexuais. (Foto: Dainik Bhaskar)
Estado Islâmico tem recorrido a aplicativos como Telegram e Whatsapp para conseguir ampliar o comércio de escravas sexuais. (Foto: Dainik Bhaskar)

Militantes do Estado Islâmico estão usando aplicativos móveis criptografados, como WhatsApp e Telegram para ampliar o tráfico de meninas que são repetidamente estupradas e torturadas por terroristas pedófilos.

Não é nenhum segredo que mais de 3.000 meninas de minorias religiosas - como yazidis e cristãs - que foram capturadas pelo Estado Islâmico (também conhecido como ISIS, ISIL ou Daesh) são frequentemente compradas, vendidas e estupradas por até oito jihadis diferentes.

Embora muitas dessas meninas e mulheres tenham sido compradas, vendidas e leiloadas em mercados de escravas sexuais dentro dos redutos do grupo terrorista na Síria e no Iraque, alguns militantes parecem estar usando aplicativos móveis criptografados e plataformas de mídia social como uma tentativa de vender essas jovens para terroristas que estejam fora dessas localidades.

Um ativista Yazidi compartilhou com a Associated Press postagem, uma mensagem particular, na qual um jihadista listava uma virgem de 12 anos de idade, com um preço inicial de 12.500 dólares.

"Virgem, bonita, 12 anos de idade", dizia o 'anúncio'. "Seu preço pode chegar a US$ 12.500 e ela será vendida em breve".

De acordo com a AP, numerosos terroristas do Estado Islâmico estão usando os aplicativos móveis para vender e comprar essas mulheres e meninas de minorias religiosas como suas propriedades. Postagens têm aparecido no Telegram, WhatsApp e até mesmo no Facebook.

Uma mensagem no WhatsApp 'anuncia' uma mulher - mãe de um bebê de 3 anos e 7 meses de idade - a um preço de 3.700 dólares. O anúncio, que incluiu a foto da mãe, afirma que "Ela quer ser vendida por seu atual dono".

No início deste mês, foi relatado que o terrorista alemão, filiado ao EI, Abu Assad Almani, tentou usar o Facebook para vender uma escrava sexual Yazidi. O jihadista pedia cerca de 8.000 dólara pela mulher, mas alguns dos amigos de Almani tentaram negociar para que ele baixasse o preço.

"O que faz com que ela valha esse preço?", perguntou Romeo Langhorne - amigo de Almani - no Facebook. "Ela tem alguma habilidade excepcional?".

O WhatsApp e o Telegram, ambos de propriedade do Facebook, usam o sistema de criptografia com o objetigo de preservar a privacidade do usuário.

Embora os 'anúncios' tenham circulado também pelo WhatsApp e Facebook, a agência de notícias AP relata que a maior parte das mensagem registradas, passaram pelo Telegram. O porta-voz do aplicativo, Markus Ra disse à AP que a organização frequentemente remove canais públicos que são utilizados pelo Estado Islâmico.

"O Telegram é extremamente popular no Oriente Médio e outras regiões", disse Ra. "Isto, infelizmente, inclui tanto os elementos mais marginais, como as mais amplas massas cumpridoras da lei".

O porta-voz do WhatsApp, Matt Steinfeld disse à AP que a empresa não tolera que o aplicativo que esteja sendo usado como uma ferramenta para o tráfico humano.

"Nós temos tolerância zero para este tipo de comportamento nas contas [do aplicativo] e desativamos quando percebemos a evidência de atividade que viola nossos termos", disse Steinfeld. "Nós incentivamos as pessoas a usarem nossas ferramentas e pedimos que denunciar que se depararem com este tipo de comportamento".

Além disso, a AP relata que o Estado Islâmico registra suas escravas sexuais em bancos de dados, que incluem fotos das mulheres e meninas e os nomes de seus "donos". A intenção do registro nos bancos de dados é dificultar a fuga dessas meninas e mulheres.

Embora muitas famílias das moças que foram capturadas e transformadas em escravas sexuais cheguem a pagar contrabandistas para ajudarem a resgatá-las, a fundadora do grupo de ajuda 'Iraqi Luftbrucke Irak' - fundado na Alemanha - Mirza Danai disse à AP que está cada vez mais difícil para que as as mulheres consigam fugir desses cativeiros.

"Eles registam cada escrava sob o domnínio de seu proprietário e, portanto, se ela escapar, cada posto de controle do Estado Islâmico será notificado", explicou Danai.

A AP relatou que o Estado Islâmico continua a perder território e as fontes de renda do grupo terrorista continuam em crise. Aqueles que são capturados auxiliando as prisioneiras a fugirem são condenados à morte.

 

veja também