Marisa Lobo denuncia preconceito contra ex-lésbica em curso de Psicologia do Paraná

Raquel Celeste é representante de turma em seu curso na UNOPAR e foi uma das nove pessoas que prestaram depoimento na audiência, realizada semanas atrás, na qual oito delas relataram ter abandonado a homossexualidade.

fonte: Guiame

Atualizado: Sábado, 4 Julho de 2015 as 5:49

A audiência realizada no plenário 9 da Câmara Federal contou com a participação de ex-gays e também da psicóloga Marisa Lobo
A audiência realizada no plenário 9 da Câmara Federal contou com a participação de ex-gays e também da psicóloga Marisa Lobo

Uma estudante de psicologia estaria sendo vítima de preconceito por parte de seus professores e colegas na universidade onde estuda (UNOPAR), no Paraná. O motivo? A aluna se declarou ex-lésbica tempos atrás e no último mês de junho, participou de uma audiência pública, idealizada pela psicóloga Marisa Lobo e proposta na Câmara Federal pelo deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC – SP).

Raquel Celeste é representante de turma em seu curso na UNOPAR e foi uma das nove pessoas que prestaram depoimento na audiência, realizada semanas atrás, na qual oito delas relataram ter abandonado a homossexualidade, assegurando que é possível haver uma reorientação sexual, caso este seja o desejo do indivíduo.

A participação da Raquel na audiência gerou revolta entre alunos e professores da UNOPAR e alguns até chegaram a caluniar a estudante.

"Gente tem uma menina do segundo semestre de psicologia, que se diz ex lésbica, ela foi a Brasilia e disse que a UNOPAR tem uma tese que que diz que a homossexualidade tem cura e que todos os alunos de psicologia concordam com isso. Ai todos os alunos estão querendo fazer com que ela seja expulsa", disse uma das alunas em uma mensagem a outros estudantes.

A informação pode ser facilmente rebatida, se comparada com o depoimento gravado de Raquel na audiência.

A denúncia sobre tal perseguição foi feita pela própria Marisa Lobo ao Guiame, que também teve acesso a um breve depoimento da estudante.

Raquel contou que tem tem sido alvo de piadas e preconceito de diversas formas por ter adotado seu posicionamento e exposto seus testemunho.

“Eu me sinto coagida e constrangida de andar livremente na minha própria faculdade. Também pago e pretendo me formar, mas não está fácil viver diariamente em um ambiente hostil como aquele, sendo hostilizada por alunos e professores“, disse a estudante.

A aluna também relatou que a atitude preconceituosa não parte apenas dos alunos, mas também de professores. Exemplo disto é a própria coordenadora do curso de psicologia da Universidade, que após a participação da aluna na audiência, tem influenciado os colegas de Raquel a ignorarem a votação que a elegeu como representante por unanimidade.

Segundo Marisa, a atitude tomada pelos colegas segue uma linha de pensamento já existente e adotado por muitos professores e alunos na própria Universidade.

“Alunos do curso de Psicologia da Unopar já haviam me confidenciado que durante as aulas, não se pode falar que ex-gays existem. Esse assunto é proibido. Há um grande preconceito, como se fosse até algum tipo de tabu. Parece que eles têm medo de reconhecer a existência dessas pessoas”, disse a psicóloga.

Conselho de Psicologia
Logo a pós a audiência pública da qual Raquel participou, o próprio Conselho Federal de Psicologia (CFP) emitiu uma nota em seu site oficial, criticando a proposta e apontando a sessão como uma ‘tentativa de derrubar a resolução 199, já oficializada em seu estatuto’ – na qual psicólogos são proibidos de orientar homossexuais, caso estes queiram abandonar a homossexualidade – e ainda voltou a relacionar a audiência com a chamada ‘cura gay’.

Marisa Lobo protestou mais uma vez contra a resolução do Conselho e destacou que não só é direito dos homossexuais optarem por uma reorientação sexual, como já existem muitos casos de pessoas que o conseguiram, por vontade própria.

“Essas pessoas são seres humanos e existem, lutam para serem reconhecidos pelo conselho de psicologia como pessoas que tem direitos humanos, direitos constituído de fazem com sua orientação sexual o que desejarem, inclusive de lutar por esta mudança seja por qual motivo for e buscar ajuda para isso”, disse.

Receio
Abalada por todo o contexto hostil e preconceituoso no qual está vivendo, Raquel está submetendo-se a sessões de terapia com Marisa Lobo. A psicóloga confessou temer até mesmo pela integridade física da estudante.

“Temo pela integridade emociona e física de Raquel Celeste, que agora é sim minha paciente, pois está muito abalada com essa intimidação, humilhação que está passando desde o dia em que contou sua história na audiência pública no dia 29 de junho de 2015 em Brasília na comissão de direitos humanos”, alertou a psicóloga.

“Exigimos um posicionamento da faculdade com relação a todas essas afirmações! Pois a omissão da instituição está respaldando os alunos. Peço também às pessoas de bem que enviem e-mail para reitoria exigindo respeito a essa aluna e concedam direito de resposta a Raquel Celeste”.
Os contatos da UNOPAR são:

Reitoria : [email protected]

Coordenadora do curso: [email protected]

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