Grupo encontra túnel cavado com colheres por judeus na Segunda Guerra

Ao longo de três meses, o grupo de judeus escavou o túnel com 35 metros, usando apenas colheres e as próprias mãos. Na noite do dia 15 de abril de 1944, a fuga foi concretizada.

fonte: Guiame, com informações de O Globo

Atualizado: Quarta-feira, 29 Junho de 2016 as 12:03

Pesquisadores num fosso usado para manter vítimas antes de sua execução, num campo de concentração da Lituânia. (Foto: Ezra Wolfinger/AP)
Pesquisadores num fosso usado para manter vítimas antes de sua execução, num campo de concentração da Lituânia. (Foto: Ezra Wolfinger/AP)

Um túnel escavado por prisioneiros judeus foi localizado por uma equipe internacional de pesquisadores. A perfuração foi feita por eles com o uso de colheres e das próprias mãos, enquanto tentavam escapar das forças nazistas da Lituânia durante a Segunda Guerra Mundial.

Com 35 metros de comprimento, a estrutura subterrânea foi construída no Bosque Panerai, onde cerca de 100 mil pessoas foram mortas, sendo 70 mil judeus, entre 1941 e 1944.

“Como um israelense de família lituana, eu caí em lágrimas com a descoberta do túnel”, disse Jon Seligman, da Autoridade Israelense de Antiguidades. “Essa descoberta é um testemunho reconfortante da vitória da esperança sobre o desespero. A descoberta do túnel nos permite apresentar não apenas os horrores do Holocausto, mas também o anseio pela vida.”

Na época, o Bosque Panerai recebeu um grupo de 80 prisioneiros do campo de concentração Stutthof, na Polônia, para encobrir os rastros do genocídio a mando das forças alemãs.

Durante o dia, eles trabalhavam na escavação de covas coletivas, no empilhamento de corpos e na coleta de madeira para a incineração de seus conterrâneos. Na prisão onde passavam as noites, escavaram um túnel temendo serem mortos após a conclusão dos trabalhos.

Ao longo de três meses, o grupo de judeus escavou o túnel com 35 metros, usando apenas colheres e as próprias mãos. Na noite do dia 15 de abril de 1944, a fuga foi concretizada.

Segundo a Autoridade Israelense de Antiguidades, 40 prisioneiros passaram pelo túnel, mas, descobertos pelos guardas, muitos deles foram baleados. Quinze conseguiram cruzar as cercas do campo e escaparam para as florestas geladas da Lituânia, mas apenas 11 prisioneiros alcançaram as forças russas e, graças ao túnel, sobreviveram à guerra.

A localização exata do túnel foi perdida desde a Segunda Guerra Mundial, apesar das inúmeras tentativas de encontrá-lo. Graças a técnica de tomografia por resistência elétrica, usada para a exploração de petróleo e na indústria de mineração, é que a equipe formada por pesquisadores de Israel, Estados Unidos, Canadá e Lituânia conseguiu localizá-lo.

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