Guerra no Afeganistão mata 600 civis no primeiro trimestre de 2016

O Afeganistão é o quarto país que mais sofre perseguição religiosa. Ao nascer o afegão se torna obrigatoriamente muçulmano.

fonte: Guiame, com informações da AFP

Atualizado: Segunda-feira, 18 Abril de 2016 as 11:26

1.343 pessoas ficaram feridas durante os três primeiros meses de 2016. (Foto: Getty Images).
1.343 pessoas ficaram feridas durante os três primeiros meses de 2016. (Foto: Getty Images).

Pelo menos 600 civis foram mortos na guerra do Afeganistão no primeiro trimestre deste ano, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) que informou no último domingo (17). O número apresenta uma queda acentuada em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar disso, o número de feridos no confronto subiu.

Segundo os últimos números divulgados pela missão da ONU, 1.343 pessoas ficaram feridas durante os três primeiros meses de 2016. Em comparação com o mesmo período em 2015, as mortes de civis caíram 13%, mas o número de feridos aumentou em 11%.

Ainda de acordo com as informações, o maior número de mortes resultou de civis atingidos durante confrontos terrestres. O relatório acrescentou que a intensificação dos combates em áreas povoadas causou um aumento de quase 30% em mortes de crianças e um aumento de 5% no número de baixas entre as mulheres.

"Mesmo se um conflito se intensifica, ele não tem de ser acompanhado por um sofrimento correspondente de civis, desde que as partes levem a sério as suas obrigações em relação à legislação humanitária e aos direitos humanos internacionais", afirmou em um comunicado Nicholas Haysom, enviado da ONU ao Afeganistão. "O descumprimento das obrigações humanitárias vai resultar em mais sofrimento em um país que já sofreu o suficiente", acrescentou.

Movimento cristão

De acordo com dados do Ministério Portas Abertas, o Afeganistão é o quarto país que mais sofre perseguição religiosa. Ao nascer o afegão se torna obrigatoriamente muçulmano. Seguir a Cristo no país é extremamente difícil, pois não existem igrejas. Por isso, os cristãos perseguidos se reúnem secretamente em pequenos grupos. Além disso, o Talibã e Estado Islâmico brigam por territórios locais.

Um caso marcante foi o de Hannelie Groenewald que teve sua família alvejada no distrito Karte Seh. Além de matar seus filhos e seu esposo Werner, os militares do Talibã colocaram fogo em sua casa, uma pausada. A família foi confundida com um “grupo missionário cristão secreto” por causa de uma mensagem de Twitter enviada pelo porta-voz do Talibã, Zabiullah Mujahid.

"Eles pensaram que Werner era um missionário tentando converter muçulmanos ao cristianismo, mas Werner não era. Ele era um agente em defesa dos Direitos Humanos, cristão, trabalhando em prol do Afeganistão. Ele fez um grande trabalho", disse um membro do governo afegão, negando a afirmação de se tratar de um grupo missionário.

A ONU disse que 60% das mortes foram causadas por "ações de elementos anti-governamentais", aparentemente referindo-se ao Taliban. Os insurgentes alegam que não têm o objetivo prévio de alvejar civis ou colocá-los em perigo. O relatório revela que 19% das mortes foram causadas por forças pró-governo, enquanto 16% não puderam ser atribuídos a um lado específico.

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