Igreja estende campanha de doação de água à população que ainda sofre em MG

A Igreja Batista Vida Nova arrecadou 2,5 toneladas de água mineral para ajudar a população mineira.

fonte: Guiame, com informações de El País e Itu

Atualizado: Segunda-feira, 14 Dezembro de 2015 as 10:48

O abastecimento de água feito pela mineradora tem gerado insatisfação. (Foto: El País/ Martha Lu)
O abastecimento de água feito pela mineradora tem gerado insatisfação. (Foto: El País/ Martha Lu)

Governador Valadares, em Minas Gerais, continua enfrentando os estragos causados pela lama um mês após a tragédia. Localizado a 300 km de Bento Rodrigues, o município foi inundado pela tsunami de rejeitos da barragem da mineradora Samarco, controlada pela Vale, a maior mineradora do Brasil, e pela australiana BHP (a maior do mundo).

Diante dos efeitos do desastre, campanhas solidárias para doação de água — item que tem sido cada dia mais escasso na região — vem sendo realizadas. Uma delas foi promovida pela Igreja Batista Vida Nova, localizada em Itu, no interior paulista.
 
O grupo arrecadou 2,5 toneladas de água mineral para ajudar a população mineira. As doações foram recebidas em quatro pontos da cidade, contando com a solidariedade de membros da igreja, famílias, lojistas, faculdade, funcionários de empresas e outros que se sensibilizaram com a causa.
 
No dia 4 de dezembro, uma verdadeira fila humana foi montada por voluntários da igreja, para carregar o caminhão com os fardos de água. A entrega da carga foi acompanhada pelo pastor Shalon e mais dois líderes da igreja, Sr. Edvaldo Inocêncio (proprietário do caminhão) e Sr. Gutembergue Alves.
 
Já a distribuição das doações às famílias ocorreu no dia 6 de dezembro, pelas mãos do pastor da Igreja Batista Monte Carmelo, no bairro Nossa Senhora de Fátima. As pessoas impossibilitadas de irem até o local, como portadores de necessidades especiais e idosos, receberam a água em sua própria moradia.

“Agradecemos a cada pessoa que participou desta arrecadação, e já estamos planejando uma nova campanha, onde já temos mais 500kg em água mineral”, afirma o pastor Shalon.


O grupo arrecadou 2,5 toneladas de água mineral para ajudar a população mineira. (Foto: Reprodução/ Itu) 

O outro lado

Enquanto pessoas e comunidades se organizam para ajudar as vítimas do lamaçal, o abastecimento de água feito pela mineradora, de acordo com decisão judicial, tem gerado insatisfação.

Uma semana depois da tragédia, a captação começou a ser retomada, mas grande parte dos moradores ainda não se sente segura para utilizar a água. 

Uma decisão judicial determinou que a Samarco forneça à população 550 mil litros de água potável por dia. Por isto, segundo a Prefeitura, a água mineral tem sido distribuída ainda, mesmo com a volta do abastecimento da água tratada. 

No entanto, pessoas como a comerciante Daiana dos Reis, de 31 anos, tem vivido dias de angústia. Ela conta que as filas nos centros de distribuição de água viram o quarteirão diariamente. "Na semana passada fui para a fila às 8h30 e só consegui pegar as garrafas às 16h, não consegui nem ir trabalhar. Passei o dia inteiro ali, é um absurdo", afirma.

Segundo Daiana, há dias que mais de 2.000 pessoas precisam ir buscar água potável em um mesmo posto de distribuição. "Não há uma organização e muito menos filas preferenciais para idosos, grávidas, e mulheres com crianças. O certo seria essa água chegar nas nossas casas".

A cidade de Alpercata, a cerca de 16 km de Governador Valadares, vive o mesmo drama. Cada morador pode recolher nos centros de distribuição apenas 6 garrafas de 1 litro e meio. As filas também dobram o quarteirão.

"Tem gente que fica das 9h até de noite esperando. Quando o caminhão chega, é um tumulto, um desespero. Sem essa água potável não podemos nem cozinhar, não há outra opção, precisamos esperar", conta a enfermeira Janete Inácio Oliveira, de 29 anos.

Mãe de uma menina de 9 anos, Janete afirma que muitas crianças têm apresentado náuseas, vômito e irritação na pele pelo contato com água da torneira. "Minha filha mesmo teve diarreia na semana passada, claro que tem ligação com essa água que ela é obrigada a tomar banho", reclama.

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