Igreja evangélica é obrigada a indenizar terreiro após morte de mãe de santo durante vigília

Segundo alega a Justiça, a "intolerância religiosa" dos pastores resultaram na morte da ialorixá. Tudo isso por causa de uma vigília que aconteceu no interior da igreja, descrita pelo órgão como "uma noite intensa de manifestação de ódio".

fonte: Guiame, com informações de Correio 24h

Atualizado: Sexta-feira, 9 Outubro de 2015 as 9:24

Mildreles Dias Ferreira, que comandava o terreiro de candomblé há 45 anos, morreu no dia 1º de junho, vítima de um infarto. (Foto: Arquivo Pessoal)
Mildreles Dias Ferreira, que comandava o terreiro de candomblé há 45 anos, morreu no dia 1º de junho, vítima de um infarto. (Foto: Arquivo Pessoal)
Integrantes do Terreiro Oyá Denã conseguiram uma liminar com ação indenizatória por danos morais através da Defensoria Pública do Estado da Bahia, nesta quarta-feira (7). A igreja evangélica Casa de Oração Ministério de Cristo, construída há 1 ano em frente ao terreiro, em Camaçari, é acusada de atacar moralmente seus membros.
 
Segundo alega a Justiça, a "intolerância religiosa" dos pastores resultaram na morte da ialorixá Mildreles Dias Ferreira, de 90 anos, em junho deste ano. Tudo isso por causa de uma vigília que aconteceu no interior da igreja, descrita pelo órgão como "uma noite intensa de manifestação de ódio". Na ocasião, Mildreles passou mal, teve um infarto e morreu.
 
A Defensoria determinou que cada réu deverá pagar a partir de R$2 mil de multa caso pratiquem atos de intolerância religiosa ou façam qualquer ofensa ao terreiro. Também foi definido que a igreja tem o prazo de 30 dias para fazer um revestimento acústico em sua sede. Caso contrário, a denominação cristã não poderá realizar os cultos e deverá pagar multa a partir de R$5 mil por dia de atraso.
 
Histórico
 
Mildreles Dias Ferreira, que comandava o terreiro de candomblé há 45 anos, morreu no dia 1º de junho, vítima de um infarto. Os evangélicos faziam uma vigília na madrugada da morte da ialorixá.
 
"Ficaram toda a madrugada gritando coisas como ‘afasta o demônio’, ‘limpa esse território do satanás e das forças malignas’. Ela passou mal, teve um infarto e morreu", disse Marcos Rezende, coordenador do Coletivo de Entidades Negras (CEN).
 
No entanto, definir uma reunião de oração por parte de cristãos como "ofensa" a outra religião é uma clara prática de violação à liberdade de culto, assegurada pela Constituição Federal.

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