Jogador brasileiro prega para atletas na Holanda: "Quero passar uma mensagem de fé"

O zagueiro Eric Botteghin reúne os companheiros de campo para realizar pequenos grupos de oração, na Holanda.

fonte: Guiame, Luana Novaes

Atualizado: Quinta-feira, 4 Agosto de 2016 as 7:26

O zagueiro Eric Botteghin reúne atletas para realizar pequenos grupos de oração, na Holanda. (Foto: Reprodução)
O zagueiro Eric Botteghin reúne atletas para realizar pequenos grupos de oração, na Holanda. (Foto: Reprodução)

Músicas de adoração, seguidas de uma mensagem bíblica e um momento de oração. Isso é o que normalmente acontece dentro uma igreja, mas foi pela internet que o zagueiro Eric Botteghin decidiu conduzir seus companheiros de campo à Jesus Cristo.

As reuniões criadas pelo jogador, que desde o ano passado atua no Feyenoord, começaram em sua casa, na Holanda. Depois que seus colegas brasileiros assinaram contratos em novos clubes, os cultos passaram a ser realizados via Skype.

“Cada um foi para um lado. Agora tem gente na Bulgária, Polônia, Itália, Finlândia... Os brasileiros estão espalhados, e esse foi o meio que a gente encontrou”, disse ele em entrevista ao Guiame, que acompanhou de perto o culto online.

Nos encontros entre atletas, Eric está sempre ao lado da esposa, a brasileira Melina Botteghin — um dos grandes motivos de sua conversão. “A Mel foi criada nos caminhos do Senhor, e foi ela quem me levou para a igreja”, conta o jogador.

Os dois se conheceram na pré-escola e estudaram juntos até a 5ª série. Eric mudou de colégio e nunca mais encontrou Melina, até que sua mãe passou a frequentar a mesma igreja que ela.

“Minha mãe queria muito que eu fosse, mas eu não queria ir. Ela pediu para a Mel, que era líder dos adolescentes, me ligar e me chamar. Ela me ligou, eu fui comecei a frequentar a igreja e a gostar dela também”, lembra o zagueiro, que na época tinha 16 anos.


Eric Botteghin, sua esposa Melina e o filho do casal. (Foto: Reprodução/Instagram)

Logo depois, Eric assinou contrato com o Sport Club Internacional e viveu durante um ano em Porto Alegre. Em seguida, surgiu o convite que causaria a maior mudança de sua vida: defender a camisa do Zwolle, na Holanda.

Hoje, o zagueiro se define como “um missionário disfarçado de jogador”, conceito que ouviu de um atleta cearense e tomou para si. “É o que a gente tem feito. Sempre que vamos orar, pedimos a Deus para guiar os nossos passos e nos conduzir ao próximo time ou onde Ele queira nos usar”, afirma.

Saber a direção de Deus é prioridade para o casal Botteghin. “Para o mundo parece loucura, mas a gente chega a dizer ‘não’ para contratos maiores e que pagam mais, porque a voz de Deus diz: ‘Vá para outro lugar”, conta Melina. “Só quem conhece o Senhor intimamente sabe o quanto é difícil tomar essa decisão, ao mesmo tempo o quão gratificante é obedecer a voz de Deus e saber que você está no lugar certo.”

Diferentemente do Brasil, um país formado por uma população 86,8% cristã (entre evangélicos e católicos), a Holanda vivencia um distanciamento da religião. Para Eric, esse é um de seus maiores desafios.

“No Brasil é fácil ser cristão. Em cada esquina tem uma igreja e mesmo que você converse com alguém que não é evangélico, a maioria das pessoas acredita em Deus. Aqui nós temos dificuldade nisso, as pessoas não creem. Por exemplo, no futebol eu quero passar uma mensagem de fé, mas o pessoal é mais pessimista e muito racional. No Brasil, antes de entrar no campo a gente se abraça, oramos juntos. Aqui é uma coisa mais fria, mais distante”, compara.

Quando se fala em voltar para o país de origem, o casal não descarta a ideia. “Nossa família, nossos amigos, tudo está aí no Brasil. Eu vejo o quanto nossos pais sofrem por estarem longe do nosso filho”, comenta Eric. “A gente voltaria para o Brasil, mas Deus é quem sabe. Lá na frente eu não sei se Ele quer nos usar aqui [na Holanda] ou se Ele quer nos usar no Brasil.”

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