Lucena comenta denúncias sobre Eduardo Cunha: "A quem mais é dado, mais será cobrado"

Dentro do maior esquema de corrupção já descoberto no Brasil, conhecido como "Operação Lava Jato", a investigação feita sobre o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atual presidente da Câmara dos Deputados e um dos membros mais ativos da Frente Parlamentar Evangélica, tem ganhado destaque nos últimos meses.

fonte: Guiame, Luana Novaes

Atualizado: Terça-feira, 15 Dezembro de 2015 as 10:19

Pastor e deputado Roberto de Lucena, atual secretário de Turismo do Estado de São Paulo. (Foto: Guiame/ Marcos Paulo Corrêa)
Pastor e deputado Roberto de Lucena, atual secretário de Turismo do Estado de São Paulo. (Foto: Guiame/ Marcos Paulo Corrêa)
Autor do projeto de lei que que classifica a corrupção como crime hediondo, o pastor e deputado federal Roberto de Lucena (PV-SP) tem trabalhado, desde o início de sua jornada política, contra um mal que é classificado por ele como o "inimigo número um do Brasil".
 
Dentro do maior esquema de corrupção já descoberto no Brasil, conhecido como "Operação Lava Jato", a investigação feita sobre o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atual presidente da Câmara dos Deputados e um dos membros mais ativos da Frente Parlamentar Evangélica, tem ganhado destaque nos últimos meses. 
 
De acordo com Roberto de Lucena, que atua como secretário de Turismo do Estado de São Paulo, o atual momento político gera um ambiente de incertezas e até mesmo de paralisação do País.
 
O secretário, que também já atuou na vice-presidência da conhecida "bancada evangélica", ainda acredita que o fato de Cunha ser evangélico não o isenta da justiça constitucional. "É importante separarmos as águas: nós não temos um evangélico presidente da Câmara dos Deputados, nós temos um deputado presidente da Câmara dos Deputados eleito com o voto dos seus pares, e esse deputado é evangélico", esclarece Roberto de Lucena.
 
Ele observa que assim que Eduardo Cunha foi eleito na presidência da Câmara, houve uma grande mobilização, inclusive por parte da mídia, em função de sua fé evangélica. "Ninguém, por exemplo, pergunta a religião do Renan Calheiros, que é o presidente do Senado. Ninguém perguntou a religião do presidente Henrique Alves, atual ministro de Turismo, quando presidia a Câmara dos Deputados", afirma.
 
"Isso não implica em uma diferenciação na maneira com que os deputados membros da Frente Parlamentar Evangélica enxergam e entendem o que está acontecendo. Veja você que o relator do processo de cassação do deputado Eduardo Cunha na Comissão de Ética é um deputado do PDT, que também é evangélico — e até onde se saiba o seu voto é pela cassação", diz Lucena sobre o deputado Marcos Rogério (PDT-RO).
 

Deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atual presidente da Câmara dos Deputados. (Foto: Sérgio Lima/ Folhapress)
 
Denúncias
 
Cunha foi denunciado pela Procuradoria Geral da República ao STF por corrupção e lavagem de dinheiro, devido à suspeita de ter recebido pelo menos US$ 5 milhões por contratos de aluguel de navios-sonda pela Petrobras.
 
Ele também é alvo de inquérito que apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro em razão de quatro contas na Suíça atribuídas ao parlamentar. A existência das contas é apontada em documentação enviada à Procuradoria Geral da República pelo Ministério Público suíço.
 
Diante das denúncias, Lucena aponta que independentemente da religião ou da falta de religião, todos os brasileiros e estrangeiros que vivem no país são regidos por uma única constituição federal. "Inclusive diz respeito à aqueles que são representantes do povo e estão investidos de um mandato parlamentar. Aliás, destes deve ser cobrado muito mais. Lembrando do próprio Senhor Jesus que disse: 'A quem mais é dado, mais será cobrado'", afirma.
 
Ao declarar seu posicionamento em relação à cassação de Cunha, Lucena esclarece que não pode opinar em nome da Frente Parlamentar Evangélica por não estar envolvido em seus ofícios, mas entende que essa é a maneira de pensar de grande parte da bancada evangélica.
 
"Até este momento, não existe se não um procedimento que será votado esta semana e que depois deverá apreciado dependendo da condução dada pelo relator e apreciada pelo plenário que poderá ou não cassar o mandato do deputado Eduardo Cunha", diz Lucena sobre o parecer pela continuidade das investigações que será apresentado por Marcos Rogério nesta terça-feira (15). 
 
"Se houver consolidada a constatação de que houve um crime, de que houve quebra de decoro parlamentar, independentemente da religião da figura pública, a lei deve ser igual para todos, inclusive para o presidente da Câmara", opina.
 

Pastor e deputado Roberto de Lucena, atual secretário de Turismo do Estado de São Paulo. (Foto: Guiame/ Marcos Paulo Corrêa)
 
Efeitos da cassação

A Polícia Federal cumpriu na manhã desta terça um mandado de busca e apreensão na residência oficial de Eduardo Cunha, em Brasília. Todos os acontecimentos que envolvem não apenas o processo de Cunha, mas de todos os políticos e empresários envolvidos no escândalo, geram um grande desgaste no Congresso Nacional.

"É um desgaste que vem ocorrendo ao longo dos últimos anos, haja visto que nas últimas eleições houve uma renovação do Congresso Nacional na ordem de mais de 42%. Isso reflete a frustração da sociedade brasileira com os seus representantes no Congresso Nacional", observa o secretário.

"Eu não entendo que esse processo salve a Câmara desse desgaste. Pelo contrário: a sociedade está vendo apenas como uma amostragem, e nós vivemos um tempo de separação entre o joio e o trigo. O importante é que vai ficando claro para todos que existem nesse País homens públicos que têm compromisso com os valores que nós defendemos, que são os valores da República, da democracia, da justiça, da liberdade e acima de tudo, os valores universais que são as premissas da Palavra de Deus", afirma Lucena.
 
O secretário ainda ressalta que existem pessoas corretas e dignas no Congresso Nacional, fazendo um trabalho digno de respeito, na luta por um Brasil melhor. "Isso não quer dizer que no Congresso Nacional, como em todas as áreas da sociedade, nós não tenhamos o joio também. E nisso eu não estou apontando ninguém. Não estou pessoalizando, estou generalizando", comenta.

Assista a entrevista completa:

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