Médico muçulmano sofre ameaças após salvar a vida de paciente cristão, no Paquistão

Um médico paquistanês enfrentou ameaças e abandonou sua carreira depois de ter salvo a vida de um paciente que, diante das leis de seu país, não merecia chances de sobrevivência: um cristão.

fonte: Guiame, com informações de The Guardian

Atualizado: Terça-feira, 26 Julho de 2016 as 4:29

(Foto: Patrick Hattori/EPA)
(Foto: Patrick Hattori/EPA)

Um médico paquistanês teve que enfrentar ameaças e abandonar sua carreira depois de ter salvo a vida de um paciente que, diante das leis de seu país, não merecia chances de sobrevivência: um cristão.

O nefrologista, que não foi identificado por razões de segurança, vive nos Estados Unidos sob asilo político há um ano e meio. “Procurei refúgio depois de ter que passar por muita humilhação e ódio por tentar exercer uma medicina ética”, disse ele ao site britânico The Guardian.

Tudo em sua vida parecia tranquilo até que, certa noite, o médico recebeu um paciente que necessitava de uma diálise urgente. Temendo que ele pudesse morrer, o especialista pegou remédios de emergência que foram doados via “Zakaat”, um sistema islâmico de esmolas.

“[O paciente] sobreviveu, mas eu enfrentei imediatamente a ira da enfermeira. Ela estava com raiva de mim porque o paciente era cristão, e as esmolas islâmicas não deveriam ser destinadas para não-muçulmanos. Mas eu não sabia qual era a fé do paciente, nem que essa tal lei existia”, relata o médico.

Depois de ter aplicado o medicamento no paciente cristão, o médico fez questão de repor o estoque com um novo remédio, de custa cerca de US$ 20. Mas a história não parou por aí. O representante de uma ONG islâmica conservadora, que fazia doações para a clínica, estava furioso com o doutor.

“Eles atribuíram a minha falta de conhecimento sobre as leis de esmolas ao fato de eu pertencer a um grupo muçulmano minoritário”, disse o médico.

O departamento médico abriu um inquérito para investigar a conduta do profissional. “Comecei a receber ligações ameaçadoras e vandalizaram meu carro e minha moto. Eles descobriram que a minha família morava nos Estados Unidos e que eu estava sozinho. Isso me tornou um alvo fácil. Eu fui ameaçado de morte em uma conferência médica organizada pelo presidente da mesma ONG que havia reclamado sobre mim”, relata o nefrologista.

Temendo por sua vida e de sua esposa, que também é médica, o especialista se mudou para os EUA em 2015. “Ela [esposa] teve muita coragem quando decidiu sair. Ela teve que aceitar a mudança sem saber quando poderia voltar e visitar sua família no Paquistão, devido ao nosso estatuto de asilo.”

Apesar da segurança que encontraram na América, o casal já não exerce sua profissão. “Eu tenho um emprego de meio período e estudo no resto do tempo. Eu estou trabalhando para obter uma licença para praticar a medicina aqui”, disse ele.

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