Número de centros islâmicos aumentou 20% em São Paulo, só em 2015

O Censo 2010 do IBGE aponta cerca de 30 mil praticantes da religião no país, mas a Federação estima que o número tenha saltado de 600 mil em 2010 para entre 800 mil e 1,2 milhão em 2015. Atualmente, há 102 centros de oração islâmicos em todo o país.

fonte: Guiame, com informações de BBC Brasil

Atualizado: Sexta-feira, 18 Setembro de 2015 as 11:54

 


Cópias do Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, ficam disponíveis para número cada vez maior de fiéis na mesquita do Pari. (Foto: BBC Brasil)

 

A conversão de brasileiros e a chegada de refugiados impulsionou o aumento do número de mesquitas e musalas (salas de oração islâmicas) em São Paulo.

Dos atuais 30 centros islâmicos do Estado, cinco foram abertos de janeiro a setembro de 2015, marcando um crescimento de 20% neste ano. No ano passado, apenas um foi criado, segundo a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras).

O crescimento em São Paulo, região que abriga a maior comunidade muçulmana do país, reflete o aumento do número de praticantes do islã em todo o Brasil. O Censo 2010 do IBGE aponta cerca de 30 mil praticantes da religião no país, mas a Federação estima que o número tenha saltado de 600 mil em 2010 para entre 800 mil e 1,2 milhão em 2015. Atualmente, há 102 centros de oração islâmicos em todo o país.

"Não há levantamento científico [sobre o número de muçulmanos no país], mas começaremos a desenvolver isso porque ficou bastante evidente que há um aumento baseado nesse fluxo de imigrantes vindos de diversas regiões do Oriente Médio e de países africanos", disse Ali Hussein El Zoghbi, vice-presidente da Fambras, à BBC Brasil.

Entre os imigrantes, estão pessoas vindas de países como Gana, Nigéria, Tanzânia, Bangladesh, Marrocos e Síria. Apenas deste último país, o Brasil já recebeu 2.077 sírios com status de refugiados de 2011 até agosto deste ano, segundo dados do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), órgão ligado ao Ministério da Justiça.

Propagação

Os novos centros islâmicos estão em bairros como Tatuapé e Aricanduva (na zona Leste de São Paulo), na rua Guaianazes (centro), em Veleiros (zona Sul) e em Embu das Artes (Grande São Paulo). Segundo El Zoghbi, a abertura deles está ligada principalmente à conversão de brasileiros ao islã nas regiões periféricas de São Paulo, e à necessidade de ter salas de oração mais próximas de seus bairros.

De acordo com o sheik Rodrigo Rodrigues, líder na mesquita do Pari, no centro da capital paulista, as conversões de brasileiros têm se tornado mais frequentes. "Acho que todo sábado duas ou três pessoas se convertem aqui. Nós não registramos, porque acreditamos que a conversão é pessoal e espontânea", disse ele.

"No Brasil, o islã não faz proselitismo da maneira como se percebe em outras religiões. Essencialmente, o islã coíbe a ideia de que você possa coagir alguém a entrar na sua religião", argumenta o presidente da Fambras.

Por outro lado, segundo a antropóloga da USP Ribeirão Preto Francirosy Ferreira, que estuda o islã no Brasil há 17 anos, é pela divulgação da religião que os brasileiros se convertem.

"A comunidade muçulmana vem fazendo um trabalho de divulgação da religião em várias cidades e Estados do país. Isso aproxima os muçulmanos da comunidade em geral. Existe também uma influência recente das campanhas de divulgação da religião nas ruas feitas nos EUA, que chegaram muito forte no Brasil na época da Copa do Mundo, pela vinda de jogadores muçulmanos", afirma.

"As comunidades vêm crescendo avassaladoramente na Paraíba, na Bahia, em Belém (PA). Na comunidade de Barretos (SP), a cada semana há uma conversão", diz a estudiosa.

O lado pacífico existe?

O vice-presidente da Fambras afirma que as notícias frequentes sobre a ação do grupo Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria faz com que muitos brasileiros associem o islã com radicalismo, mas a filosofia do Islã brasileiro é diferente.

"Toda religião tem vertentes diferentes, mas o Brasil tem uma característica. São mais de cem entidades muçulmanas em todo o país, mas o centro do processo é a tolerância, o respeito às diferenças, a não promoção da violência de forma alguma, a ideia de apoiar políticas públicas que fazem com que o ser humano seja respeitado em suas necessidades", afirma.

No entanto, ainda que muitos adeptos à religião islâmica a defendam como uma filosofia pacífica, o avanço do extremismo islâmico – respaldado pelo Alcorão – não nega as vertentes de violência que regem a crença.

Em um dos trechos do Alcorão, a violência é clara: "O castigo, para aqueles que lutam contra Alá e contra o seu mensageiro e semeiam a corrupção na terra, é que sejam mortos, ou crucificados, ou lhes seja decepada a mão e o pé opostos, ou banidos. Tal será, para eles, um aviltamento nesse mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo", aponta a Surata 5,33.

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