ONU pede liberação de aborto em países latinos em casos de microcefalia

A medida é de caráter urgente, segundo o alto comissário Zeid Rad’ad Zeid Al-Hussien. Principalmente para os países da América Latina.

fonte: Guiame, com informações da AFP

Atualizado: Sexta-feira, 5 Fevereiro de 2016 as 4:49

O grande desafio dos países latino-americanos é enfrentar o mosquito transmissor, em função das condições favoráveis à propagação.
O grande desafio dos países latino-americanos é enfrentar o mosquito transmissor, em função das condições favoráveis à propagação.

A Organização das Nações Unidos (ONU) pediu aos Direitos Humanos, nesta sexta-feira, 5, por meio do Alto Comissariado, a liberação de contraceptivos e do aborto em países com altas taxas de infecção zika vírus, como o Brasil. A recomendação foi anunciada em Genebra e aconteceu devido à associação da epidemia com os casos de microcefalia.

A medida é de caráter urgente, segundo o alto comissário Zeid Rad’ad Zeid Al-Hussien. Principalmente para os países da América Latina. “As leis que restringem o acesso a esses serviços sejam revistas em adequação com as obrigações dos direitos humanos, a fim de garantir o direito à saúde para todos”, pontuou Zeid.

A porta-voz da ONU, Cecile Pouilly, criticou a incoerência dos Estados, que recomendam às mulheres a não engravidar no momento, mas ao mesmo tempo não oferecem aos meios contraceptivos. Zeid reforçou o questionamento de Cecile ao afirmar que o governo não entende que muitas mulheres não podem exercer o controle em quais circunstâncias devem engravidar, principalmente em países com altas taxas de violência sexual.

O alto comissário também reconhece a dificuldade dos países da América Latina em enfrentar a propagação do zika, em função da presença do mosquito transmissor Aedes aegypti e das condições climáticas que favorecem a proliferação.

Saliva e Urina

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou também nesta sexta-feira em uma coletiva realizada no Rio de Janeiro que foi descoberta a presença de vírus zika, com potencial de provocar infecção, em amostras de saliva e de urina. De acordo com a fundação, essas novas formas de transmissão serão mais estudadas.

Liderados pela pesquisadora Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório de Biologia do Instituto Oswaldo Cruz, cientistas realizaram o sequenciamento do genoma do vírus e analisaram amostras retiradas de dois pacientes com sintomas compatíveis com o zika.

A descoberta, porém, ainda não comprova se o vírus pode ser transmitido a outras pessoas por meio da urina e da saliva. "O fato de haver um vírus ativo ainda não é uma comprovação de que há possibilidade de infecção através desses fluidos", afirmou o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, em anúncio a jornalistas.

"Só foram encontradas partículas não infecciosas. Mas ainda é preciso pesquisar para saber se é possível que se infecte outra pessoa", reforçou o especialista, acrescentando que a descoberta "tem um significado muito grande porque, até então, todas as evidências não mostravam capacidade de infeção".

Emergência

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou na última segunda-feira, 1, situação de emergência em saúde pública de interesse internacional por causa do aumento de casos de infecção pelo Zika vírus. Casos foram identificados em diversos países, além de uma possível relação da doença com quadros registrados de malformação congênita e síndromes neurológicas.

Já na última terça-feira, 2, os Estados Unidos confirmaram um caso de contágio por contato sexual. Até então, acreditava-se que o vírus era transmitido aos seres humanos pela picada de mosquitos, principalmente o Aedes aegypti, também hospedeiro da dengue.

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